Gaviões ameaça vingar morte de torcedor

A morte do corintiano Marcos Gabriel Cardoso Soares, de 16 anos, reabriu a guerra entre as torcidas organizadas em São Paulo. Marcos foi espancado por torcedores palmeirenses antes do clássico de domingo, perto da Estação Barra Funda, e morreu nesta terça-feira de madrugada, vítima de traumatismo craniano. No enterro, membros da Gaviões da Fiel prometeram vingança. Marcos não fazia parte de nenhuma torcida organizada. Ia ao Morumbi com uma camiseta branca, sem nenhum símbolo corintiano. No caminho, se encontrou com dois amigos e se juntou a um grupo de mais alguns torcedores do Corinthians. Eles desceram na estação de metrô Barra Funda, onde cruzaram com os rivais. O confronto maior aconteceu na rua da Várzea, esquina com o Viaduto Pacaembu, a poucos metros da sede da Mancha Verde. Como o grupo de palmeirenses era maior, a maioria dos corintianos fugiu, alguns deles pulando o muro da Central Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM). Marcos e outros garotos ficaram sozinhos, cercados por palmeirenses e foram espancados com chutes, pedradas e golpes desferidos com objetos encontrados em uma construção civil. Ao final da confusão, ele foi levado ao Pronto Socorro Municipal da Barra Funda, Hospital Álvaro Dino de Almeida, onde foi examinado e liberado pelos médicos. Voltou para casa, brincou com a mãe sobre a briga e dormiu. Na manhã de segunda-feira, sentiu tontura e dores de cabeça, foi levado a um pronto-socorro na Zona Leste e depois, ao Hospital Santa Cecília, onde morreu na madrugada desta terça-feira. Vingança ? O velório e o enterro de Marcos, nesta terça, no Cemitério da Saudade, em São Miguel Paulista, foram marcados pela tristeza e promessas de vingança. Dezenas de membros da Gaviões da Fiel, principal torcida uniformizada do Corinthians, compareceram e colocaram uma bandeira da facção sobre o caixão.Logo após o enterro, um dos torcedores prometeu, ameaçador: ?Agora é com a gente.? Na mesma hora, Marisa Ribeiro Soares, uma das tias de Marcos, reclamou, em voz alta. ?Gaviões, não é para vocês irem atrás de vingança. Isso é para a justiça daqui e de Deus.? Na mesma hora, torcedores comentaram entre si. ?Justiça quem vai fazer é a gente.?Um dos mais revoltados era Paulo Roberto, de 20 anos, irmão mais velho de Marcos. Corintiano, ele também não faz parte de organizadas. ?Só acredito em justiça pelas próprias mãos, para as pessoas que fizeram meu irmão ir para o hospital e os que o liberaram, mesmo no estado em que estava.? Indignação ? ?A gente vê as notícias, mas nunca acha que uma tragédia dessas vai acontecer na família da gente?, comentou, entristecida, Edna Cardoso, uma das tias de Marcos. ?A familia e os amigos estão indignados, porque ele era um bom menino, estudioso, inteligente e trabalhador, nunca se envolveu em brigas.? Segundo a tia, o sobrinho não era fanático pelo Corinthians, mas apaixonado pelo futebol. ?Há algum tempo, ele entrou na escolinha do Marcelinho Carioca, para aprender a jogar.?Marcos acabara de conseguir o primeiro emprego, em uma livraria, e segunda-feira receberia o primeiro pagamento. ?A família é humilde. Seu objetivo era trabalhar para ajudar os pais?, disse Edna.

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