Gaviões não visita pontos turísticos

Os torcedores da Gaviões da Fiel e demais torcidas organizadas do Corinthians que vieram a Brasília para empurrar o time na decisão da Copa do Brasil não puderam conhecer a cidade. Eles pretendiam visitar símbolos da capital, como o Congresso e o Palácio do Planalto, mas foram retidos pela Polícia Militar numa rodovia de acesso a 30 quilômetros da Esplanada dos Ministérios. Os cerca de 50 ônibus lotados de corintianos começaram a chegar a Brasília no início da tarde, mas só partiram em direção ao estádio, na cidade-satélite de Taguatinga, por volta das 18 horas. Parados no acostamento da estrada, foram revistados um a um. Rojões e bebidas alcoólicas em garrafas de vidro foram apreendidos. Alguns torcedores, porém, conseguiram burlar a vigilância e entraram no estádio Serejão com foguetes. O comboio principal das torcidas reuniu 35 ônibus. Um atrás do outro, eles chegaram ao estádio às 18h30, numa cena que contagiou até mesmo torcedores adversários. Eufóricos, os corintianos espremiam-se nas janelas gritando refrões do time, enquanto alguns mais afoitos chegaram a subir no teto de um dos veículos. "Achei fera, muita emoção", comentou a vendedora de camisas da seleção brasileira Márcia Silva, de 27 anos. Torcedora do Palmeiras, Márcia admitiu ter ficado "arrepiada" com a imagem. "Eles vestem e honram a camisa." Entre os gaviões, estava o impressor serigráfico Renato Ferreira Algaves, de 22 anos. Ele deixou São Paulo às 3h30 para ajudar o time a ganhar o segundo campeonato em menos de uma semana. "Atrás do Corinthians vou até o fim do mundo", disse. Confiante na vitória contra o Brasiliense, outro gavião, Renato Preto, de 31 anos, esperava comemorar o título até sábado. "Onde fica a Avenida Paulista aqui?", perguntou. Quem também saiu de casa para ver o timão foram as goianas Eliene Machado, de 35 anos, e a filha Juliana, de 18. "Meu marido e meu filho são vascaínos, então não vieram. Eles não sabem o que é bom", disse Eliene. Mãe e filha viajaram três horas de ônibus, de Goiânia a Brasília, e esperavam voltar já de madrugada com a faixa de campeãs na mão. A torcida do Corinthians ocupou aproximadamente um quarto do estádio. Na entrada, a polícia usou detectores de metais. Cerca de 1.300 policiais militares foram mobilizados. A direção do Brasiliense montou sistema de som com músicas para animar a torcida. Uma delas foi uma versão da canção Brasília Amarela, do grupo Mamonas Assassina, com um trecho que dizia. "Desta vez o juiz não vai me roubar, nós vamos ser campeões", numa referência à atuação do juiz Carlos Eugênio Simon, que prejudicou o time do Distrito Federal na primeira partida, em São Paulo, quando o Corinthians venceu por 2 a 1. O presidente do Brasiliense, senador cassado Luiz Estevão, negou ter recebido notificação da Defesa Civil informando que o estádio teria capacidade apenas para 20.200 torcedores - e que seria responsabilizado por qualquer acidente. Segundo ele, uma hora antes do jogo cerca de 28 mil pessoas já se encontravam no Serejão. "Não recebi notificação nenhuma", disse Estevão. "O bombeiro fez uma medição de 20 mil pessoas, o que não entendo. Afinal, a conta é simples: o anel da arquibancada, com todos os degraus, tem 16 mil metros de extensão. Assim, multiplicado por dois, deixando 50 centímetros por torcedor, há lugar para 32 mil pessoas." Ele lembrou ainda que nos jogos contra o Fluminense e o Atlético Mineiro mais de 30 mil torcedores entraram no estádio.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.