Gaviões protesta contra Citadini

O Corinthians começou a temporada de 2002, na tarde desta quinta-feira, em clima de guerra. No primeiro dia de trabalho do técnico Carlos Alberto Parreira, a torcida Gaviões da Fiel invadiu o Parque São Jorge para protestar contra o vice-presidente do clube, Antonio Roque Citadini, pedindo sua demissão. Com receio de que a situação ficasse incontrolável, a diretoria pediu a presença da Polícia Militar, que se dirigiu para o local preparada para um confronto com torcedores. "A comunicação que recebemos, via Copom, era de havia um tumulto no Corinthians", justificou o capitão da PM, Carlos Benedito Carvalho, coordenador operacional do 8º Batalhão, que se dirigiu para o clube com seis viaturas e 20 policiais. "Mas é uma manifestação, sem maiores conseqüências."O protesto da Gaviões da Fiel - cerca de 30 integrantes participaram do ato - começou por volta das 15 horas. Quatro torcedores entraram no clube para tentar falar com a diretoria. Em seguida, os outros membros da torcida conseguiram entrar no Parque São Jorge, depois de um empurra-empurra com os seguranças no portão principal. Os torcedores se acomodaram na arquibancada e começaram, então, os protestos contra a diretoria."Ô, ô, queremos jogadores!", "Citadini, o Corinthians não precisa de você!" "Se gritar pela ladrão, não fica um meu irmão!", gritavam os torcedores, comandados pelo vice-presidente da Gaviões da Fiel, Ronaldo Pinto, que promete mais manifestações contra o dirigente. A torcida pretende até acampar em frente o Tribunal de Contas, no qual Citadini é conselheiro, para pedir sua saída do clube. "Ele não contrata nenhum grande jogador e ainda acaba com o time. Manda Luxemburgo embora, deixa César Sampaio sair. E, temos certeza que na primeira oportunidade, Luizão e Ricardinho também serão negociados. Citadini está acabando com o Corinthians", acusou Ronaldo Pinto.Citadini não quis dar entrevistas e rebater as críticas.A manifestação que parecia tranqüila esquentou quando o conselheiro vitalício José Favilla saiu em defesa da diretoria, e chamou os torcedores de "vagabundos". Houve um bate-boca com o conselheiro, que precisou ser retirado do local. "Aqui tem gente diplomada que também rouba", gritou um dos torcedores.Parreira disse não se intimida com a primeira impressão que teve no seu contato inicial com a torcida do Corinthians. "Sei onde estou pisando. A torcida do Corinthians sempre foi exigente. A cobrança no Brasil já está virando uma rotina. Normal não deveria ser assim, mas essa é a realidade. Temos de trabalhar, porque só as vitórias acalmam a torcida. Não existem protestos com vitórias", afirmou o treinador, que recebeu um elenco com 34 jogadores, um número considerado alto por ele. "O ideal seria a gente ficar com 26 atletas para dar um atenção especial a todos."Diante dessa situação, o treinador afirmou que antes de pensar em reforços será necessário "enxugar" o elenco. Parreira também revelou que vai torcer para que Luizão fique no Corinthians. "Mas não posso garantir se ele permanecerá aqui, pois amanhã surge uma proposta irrecusável e não vai dar para segurar o atleta", explicou.Na sua primeira avaliação, Parreira considerou ?jovem? o elenco corintiano. Ele destacou a importância que é trabalhar no Corinthians, ao justificar a presença de vários repórteres, cinegrafistas e fotógrafos, que se espremeram na sala de imprensa durante a sua entrevista coletiva. "Isso só se compara com a seleção brasileira.? Na segunda-feira, o elenco corintiano embarca para Serra Negra, onde fará a pré-temporada.

Agencia Estado,

03 de janeiro de 2002 | 17h43

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