Geninho tenta acabar com divisão do elenco

Pivô da queda-de-braço entre os vice-presidentes Nesi Curi e Roque Citadini, Geninho detectou rapidamente um outro racha no clube. E ainda muito mais importante para o seu futuro no Corinthians: a divisão do elenco, que passou a se atacar após a derrota para o Cruzeiro. Além de criticar a diretoria por ter permitido a saída de cinco titulares em meio ao Campeonato Brasileiro, o capitão Fabinho disparou contra os companheiros de ataque na véspera. "Do que adianta a gente segurar lá atrás se o pessoal da frente não faz gols?", chegou a dizer.Antes que a questão virasse um problema de grandes proporções, Geninho reuniu o elenco e colocou um ponto final nesse tipo de comentário. "É bom apagar o fósforo antes que o fogo pegue na folha", sintetizou o treinador. Geninho pediu mais cuidado aos seus jogadores na hora de falar sobre qualquer companheiro. "Não interessa a ninguém um setor ficar criticando o outro. Aqui todo mundo ganha e todo mundo perde. Não há culpados. Aliás, há sim. Num esporte coletivo, o único culpado é sempre o treinador", afirmou.O técnico usou até uma metáfora para se fazer entender. "Uma corrente só é forte quando todos os elos são fortes. Se um elo é fraco, acaba a unidade", comparou.Geninho gostou da resposta prática dada pelo grupo. O time treinou com vontade e passou a maior parte do tempo, coincidentemente, treinando finalizações. O treinador foi procurar nos números uma razão lógica pelo fraco desempenho do ataque. "Dos artilheiros que marcaram nossos gols nessa temporada, 78% desses jogadores não está mais com a gente. E se você considerar que o Rogério e o Gil também passaram uma bom tempo no departamento médico, esse índice sobre para 85%. É muita coisa. O ataque tinha mesmo de acusar uma queda de produtividade. Por isso, estamos trabalhando nisso."Abuda e Jô, que atuaram nas últimas partidas, não convenceram como artilheiros. Geninho resolveu dar um descanso a eles. Jô já havia perdido a posição contra o Criciúma. Agora, Abuda vai perder o lugar para Bobô, que entrou nos dois últimos jogos e teve mais presença na área. Ele será o atacante corintiano no domingo, contra o Juventude, em Caxias do Sul."O Bobô talvez não seja tecnicamente tão bom quanto os outros, mas incomoda mais. É um jogador com mais presença de área", explicou o técnico corintiano. "Entrou bem contra o Criciuma e teve duas chances de gol. Voltou a entrar contra o Cruzeiro e mostrou boa presença de área. Acho justo dar uma oportunidade a ele, até porque os outros já tiveram as suas."Animado com a chance, Bobô, de 19 anos, até prometeu ligar para os seus pais, que vivem em Santa Rita, na Paraíba. Como na cidade há o sistema pey-per-view, o atacante acha que sua presença como titular no Corinthians vai se transformar em atração na região. "Sonho todo dia com o meu primeiro gol no time profissional. Quem sabe ele não sai nesse jogo?", disse.A não ser Bobô, Geninho deve confirmar a mesma equipe que perdeu para o Cruzeiro. A única pendência é o meia André Luiz, cuja escalação a cada jogo está se transformando numa verdadeira novela. Nesta sexta-feira, André Luiz treinou 30 minutos e voltou a sentir dores no músculo adutor da coxa direita - o mesmo que o tirou da viagem a Criciúma. Um repórter quis saber de Geninho se André Luiz não tem medo de avião. Esperto, o treinador respondeu. "É você que está dizendo". Em seguida, virou para o assessor de imprensa do clube, Luciano Signorini, e acrescentou, em tom de brincadeira. "Viu? Você está de testemunha. Eu não disse nada."

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