Gentis, japoneses aplaudem Brasil

Por educação ou excesso de gentileza, os japoneses aplaudiram a seleção brasileira após a vitória sobre o Verdy Tokyo, por 2 a 0, em amistoso realizado neste sábado, no Estádio Municipal de Tóquio. Dos 50 mil ingressos postos à disposição do público, somente pouco mais de 27 mil foram vendidos. A partida chegou a ser constrangedora em alguns momentos, devido aos erros primários do time dirigido por Emerson Leão. O mérito do amistoso contra a equipe que ocupa a última posição na Liga do Japão pode ter sido a desenvoltura do atacante Washington, o artilheiro do Campeonato Paulista e da Copa do Brasil. Ele viajara quase 30 horas até a véspera do jogo e ainda teve fôlego para correr e chutar a gol com precisão, como aos 6 minutos do segundo tempo, quando recebeu ótimo passe de Ramon e abriu o placar.O goleiro Dida, fora da seleção havia mais de um ano, também deixou claro que pode ser útil à equipe. Fez boas defesas e lembrou a excelente fase por que passou durante parte do período em que Wanderley Luxemburgo trabalhava na seleção. O jogo deu prejuízo a seu patrocinador - uma organização não-governamental do Japão, favorável à preservação do meio ambiente e que apostava no retorno de bilheteria para compensar o investimento.Pelo amistoso, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) recebeu cerca de US$ 500 mil. Houve até uma bonita cerimônia antes de a bola rolar, com direito a um rápido discurso do capitão da seleção, Vampeta, em defesa "de um mundo melhor, mais limpo e mais verde".No pavilhão do suntuoso estádio, tremulavam enormes bandeiras da Fifa e do Verdy Tokyo, ao lado de uma bem pequenina, a do Brasil. Foi esse o tamanho do futebol apresentado por Leomar e companhia. O meia do Sport, considerado por Leão como um jogador "nota 7", mostrou mais uma vez não ter a mínima condição de vestir a camisa da seleção: conseguiu falhar até no passe lateral curto, a sua principal característica. Ele chegou a cair sozinho em campo duas vezes.Leão ficou impaciente com os erros na etapa inicial, quando o Verdy esteve por marcar o gol de abertura pelo menos em três oportunidades. O Brasil também desperdiçava boas chances e o treinador levantou-se várias vezes para dar instruções. Às vezes, de forma mais ríspida. A conversa no vestiário, durante o intervalo, surtiu um pouco de efeito. O time voltou para o segundo tempo mais aplicado. Depois da finalização certeira de Washington, pressionou os japoneses até Júlio Baptista, de cabeça, aos 39, marcar o segundo gol.O Brasil está no Japão para a disputa da Copa das Confederações, de 30 de maio a 10 de junho. Estréia na quinta-feira, contra Camarões, e segue neste domingo de Tóquio para a cidade de Ibaraki.

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