Fabio Motta|Estadão
Vitão, do Palmeiras, o vascaíno Paulinho e Brenner, do São Paulo, integram a nova safra do futebol brasileiro. Fabio Motta|Estadão

Geração de 2022 dá seus primeiros passos na Copa do Mundo Sub-17

Garotos como Brenner e Vinicius Júnior estão na equipe que vai ao Mundial da categoria e sonham jogar a Copa do Catar

Marcio Dolzan, enviado especial a Teresópolis, O Estado de S.Paulo

25 de setembro de 2017 | 07h00

Enquanto a seleção que buscará o hexa na Copa da Rússia, no próximo ano, já está praticamente fechada, a que pretende estar no Mundial do Catar, em 2022, começa a ser lapidada. Durante dez dias, os garotos da equipe sub-17 treinaram na Granja Comary, em Teresópolis, com o foco na Copa do Mundo da categoria e com o sonho de, em breve, vestir a camisa da seleção principal.

A equipe da base chegará terça-feira à Índia, onde o Mundial será disputado a partir do próximo dia 6. A seleção está no Grupo D, ao lado de Espanha, Coreia do Norte e Níger. Tricampeão, o Brasil não conquista o torneio desde 2003, mas uma geração promissora, que chega cada vez mais cedo ao elenco principal de seus clubes e já tem atletas com projeção internacional, dá grande alento.

O jogador mais badalado do grupo é Vinicius Júnior, do Flamengo. Em maio, o atleta foi negociado ao Real Madrid por 45 milhões de euros (cerca de R$ 168 milhões). Por ser menor de idade (17 anos), ele permanecerá no clube rubro-negro pelo menos até julho do próximo ano. Atualmente no elenco principal do Flamengo, o atacante se apresentará à seleção somente após a final da Copa do Brasil – será disputada na quarta-feira, em Belo Horizonte.

No rival Vasco, outro atacante da sub-17 já ganha espaço entre os profissionais. Em julho, Paulinho marcou os dois gols da equipe na vitória por 2 a 1 sobre o Atlético-MG, pelo Brasileirão. Com o feito, ele se tornou o jogador mais jovem a fazer um gol pelo Vasco neste milênio, batendo em 70 dias a marca que pertencia a Philippe Coutinho, hoje um dos destaques da seleção principal.

“A experiência no profissional é muito importante, porque a gente conhece jogadores que já disputaram Copa do Mundo. Acontece isso comigo no Vasco, quando converso com o Luís Fabiano”, afirma Paulinho, que no início do ano renovou contrato até 2020. Os valores não foram informados.

Sobre o Mundial Sub-17, ele espera apoio da torcida brasileira, mesmo de longe. “É um desafio muito grande. Temos 17 anos, disputar uma competição como essa, com toda visibilidade que tem, televisão...”, comenta. “Os torcedores podem estar focando no Mundial de 2018 (a Copa da Rússia), mas quando virem a gente podem pensar ‘será que um deles pode estar aí?’ É assim que a gente pensa.”

Dos clubes paulistas, Brenner, do São Paulo, é outro que leva esperança de gols, enquanto o zagueiro palmeirense Vitão – escolhido como capitão pelo grupo que conquistou o Sul-Americano no início do ano – é o guardião da defesa.

O atacante são-paulino renovou recentemente seu contrato com o clube, com o novo vínculo se estendendo até 2022, justamente o ano da Copa do Mundo do Catar. A multa rescisória para uma transferência ao exterior chega a 50 milhões de euros (R$ 187 milhões).

Para Brenner, treinar na Granja Comary, casa da seleção brasileira, ajuda a manter o foco na seleção da base e, ao mesmo tempo, serve para “estudar como é (o CT da seleção), para um dia estar aqui presente”.

O próprio Mundial Sub-17 é visto por ele como uma porta para o grupo principal. “É a chance de mostrar nosso talento. Tem o Coutinho e o Neymar, que surgiram no Mundial (Sub-17) também. Eles podem ver na gente o futuro da Copa do Mundo”, comenta.

O “eles” citado por Brenner pode se referir à torcida, a quem acompanha o cotidiano da seleção, ou até mesmo ao técnico Tite, que na segunda-feira passada esteve na Granja com os auxiliares Cleber Xavier e Matheus Bachi assistindo ao jogo-treino da sub-17 com a equipe sub-19 do Internacional.

O palmeirense Vitão é outro que exalta o período de treinos na Granja. “Dá uma mexida. A gente via na nossa infância a Granja Comary pela televisão; agora, estamos aqui, sabendo que daqui uns dias a principal vai estar também”, comenta. “Mas estou focado na 17.”

O zagueiro está esperançoso em uma boa campanha na Índia. Além do título sul-americano no início do ano, ele lembrou que o grupo é bem entrosado, já que a trajetória começou ainda no sub-15. “Vamos lá para mostrar nosso futebol alegre, descontraído e solto.”

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Mentor da garotada, Amadeu prega jogo bonito e competitivo

À frente do time sub-17 desde 2015 e com bom histórico na base, técnico não abre mão da essência do futebol brasileiro

Marcio Dolzan, enviado especial a Teresópolis, O Estado de S.Paulo

25 de setembro de 2017 | 07h00

A missão de fazer os garotos da seleção brasileira sub-17 jogarem bola – no sentido mais alegre e eficiente da expressão – é de Carlos Amadeu. O técnico de 51 anos assumiu a equipe em 2015 trazendo na bagagem bons resultados na base do Vitória. Sua principal conquista foi a da Copa do Brasil Sub-20, em 2012, pelo time baiano.

Ex-jogador do Bahia e formado em Educação Física, o treinador tem perfil agregador e parece ter o grupo na mão. Nos treinos, os jogadores se mostram bem à vontade.

Ajuda muito o estilo de jogo que Amadeu tenta aplicar aos seus comandados. “A gente imagina o futebol brasileiro como aquele que gosta de jogar próximo, com triangulações, toque de bola. Queremos uma equipe ofensiva, que proporcione uma alegria ao torcedor e para os fãs desse futebol”, explica.

O treinador se mostra bom observador, “ligado’’ no que anda acontecendo nos gramados do País: “Buscamos acoplar isso com competitividade e atrelar ao que está acontecendo de mais atual, que são times bem compactados, com saída, ataque e defesa em alta velocidade, não esquecendo jamais o refino técnico, o bom domínio, o bom passe. Isso pra mim é o essencial”, afirma.

O estilo de jogo, diz, é parecido com o de outras categorias da seleção. “A filosofia do (sub) 15, 17 e 20 está muito próxima uma da outra, chegando até a equipe profissional”, compara. Amadeu, contudo, nega que isso seja determinação vinda de cima. “Não tem nada específico ou cartilha.”

Ele prevê uma Copa do Mundo Sub-17 muito nivelada. “Esta categoria é bem diferente do profissional. Temos as equipes africanas que são as grandes vencedoras e as seleções europeias estão muito fortes, além de México e Estados Unidos. O Brasil se enquadra nelas.”

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Trabalho na base levou Alemanha ao topo do mundo no futebol

País é referência no investimento em novos talentos

O Estado de S.Paulo

25 de setembro de 2017 | 07h00

Ter um trabalho de base bem estruturado pode fazer diferença no longo prazo. O melhor exemplo é o da Alemanha, que em pouco mais de uma década saiu do fiasco de não passar nem da primeira fase de duas Eurocopas para o título da Copa de 2014.

A mudança surgiu com a constatação de que a seleção alemã não tinha capacidade de renovação – a equipe que fracassara na Euro de 2004 era muito similar à que fora vice-campeã do mundo em 2002.

Depois disso, muito dinheiro foi investido em categorias de base. A ordem era dar prioridade a garotos talentosos, mesmo que não tivessem força física. Aos poucos, eles começaram a ser incorporados na seleção principal por Joachim Löw, que foi auxiliar do técnico Jurgen Klismann e depois assumiu a equipe.

Coincidência ou não, a Alemanha sub-17 chegou a duas semifinais em Mundiais nos últimos dez anos, enquanto o time sub-23 é o atual vice-campeão olímpico.

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