Felipe Rau/Estadão
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Antero Greco
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Geração emperrada

Jovens treinadores sofrem com maus resultados e são trocados por mais experientes

O Estado de S.Paulo

21 Outubro 2018 | 05h00

No começo do ano falou-se muito a respeito de nova geração de técnicos que tentava firmar-se no futebol brasileiro. Havia perspectiva de safra talentosa, sobretudo após o sucesso de Fábio Carille no comando do Corinthians campeão paulista e brasileiro de 2017. Sensação reforçada pelo próprio Carille, ao ganhar o Estadual de 2018 com elenco mais fraco do que o anterior, que já não era nenhuma oitava maravilha do mundo.

A temporada embica para a reta final e se constata que os rostos jovens nos bancos de reserva foram trocados por caras marcadas por muito tempo de estrada. Vários dos clubes mais importantes do País não sustentaram a aposta na safra de iniciantes - ou com pouca rodagem - e voltaram para a segurança, na tentativa de conquistarem títulos ou de evitarem vexames.

A lista de degolas inclui Eduardo Baptista (Coritiba, Ponte), Roger Machado (saiu do Palmeiras depois da Copa), Osmar Loss (não aguentou a queda de desempenho, após a emigração de Carille), Zé Ricardo (tragado pela fase instável do Vasco), Maurício Barbieri (sucumbiu à turbulência no Flamengo), Jair Ventura (não aprumou o Santos) e, nesta semana, Thiago Larghi (preterido pelo Atlético-MG).

Nem todos estão desempregados. Batista regressou ao Sport, Zé Ricardo está às voltas com as oscilações do Botafogo, Jair Ventura por pouco não festejou o título da Copa do Brasil com o Corinthians, e agora tem o desafio de afastar-se da zona de rebaixamento no Brasileiro. Loss oficialmente foi fazer curso na Europa a mando do Corinthians. Dá para incluir até Alberto Valentim, que teve passagem relâmpago pelo Egito e trata de consertar o Vasco.

Causas para o atravancamento de projetos de modernidade de técnicos - ao menos no quesito idade - são várias, vão de inexperiência a impaciência dos dirigentes e das torcidas, de falta de recursos do elenco a falhas na armação das equipes. Incluiria também frustração. Criou-se expectativa de que uma turma atrevida estava a despontar, para tomar lugar de gente que poderia ser incluída na “geração 7 a 1”, ou seja, vista como ultrapassada.

Preconceito de mão dupla, que atinge jovens e velhos. Os imaturos passam de um momento para outro do status de esperança para o de fogo de palha, ou de mais do mesmo. Os mais idosos são vistos como incapazes ou como tapa-buracos, adequados para trabalhos de emergência e curto prazo. Basta ver a forma como Dorival assumiu o Flamengo, como Cuca ou encontrou o Santos e como Levir terá de se virar no Galo, ainda com esperança de ir para a Libertadores. Sem garantias de que continuem no ano que vem.

As derrapadas dos menos calejados podem ser benéficas, se souberem entendê-las. Se tiverem paciência para pavimentar carreiras, sem queimar etapas. Algo que Rogério Ceni, por exemplo, faz no momento. Quebrou a cara no São Paulo, ficou de molho por um tempo e ressurgiu no Fortaleza, líder da Série B e a um passo da A.

Não se deve esquecer também de Odair Hellmann, burilado nas divisões de base do Internacional e agora a brilhar na direção da equipe principal. E de Lisca “Doido”, que faz de tudo pra tirar o Ceará do buraco. Enfim, sem afoiteza, os que tiverem valor vingarão. Renovação é lei da vida; porém, que venha com quem traga, de verdade, ideias interessantes, atuais e consistentes.

Por ora, a primeira grande proeza no plano doméstico coube a nome consagrado (Mano Menezes, com o bi da Copa do Brasil pelo Cruzeiro), enquanto outro professor (Felipão) está na briga pelo Brasileiro e pela Libertadores, para provar que ainda dá bom caldo. De alguma forma, a turma da terceira idade mostra que esse negócio de ficar em casa de pijamas era coisa para vovôs de antigamente. Os de agora querem agito.

 

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