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Gestão amadora

Demitir técnico, como ocorreu com Dorival, no Santos, é sempre mais fácil

Robson Morelli, O Estado de S.Paulo

05 de junho de 2017 | 03h00

Duas notícias deste domingo evidenciam a falta de gestão dos clubes brasileiros, não todos, porque não devemos generalizar, mas de boa parte deles, e da primeira divisão. A primeira delas é lugar-comum no futebol brasileiro sempre que as coisas não andam conforme se espera. Depois de perder para o Corinthians, amargando a terceira derrota no Nacional, a diretoria do Santos convocou Dorival Jr. para uma reunião emergencial para discutir seu trabalho. O veredicto já era sabido quando o telefone do treinador tocou: seria demitido. E foi. Elano assume o time da Vila interinamente até que outro seja ajeitado. 

Até bem pouco tempo atrás, Dorival era reverenciado, citado como um dos mais experientes do Brasil, melhor do que muitos dessa nova geração que se forma. Não é mais nada disso. Pelo menos não para a diretoria santista. Pressionada pelos maus resultados no Brasileirão, mesmo em começo de campeonato, e com o time classificado na Libertadores e Copa do Brasil, Modesto Roma Jr. fez o óbvio e o mais fácil – cuspiu no seu próprio planejamento. É assim no futebol desde os primórdios. Tem agora de recomeçar do meio do ano. Demitir treinador em meio a disputas é desculpa de maus gestores, de quem não consegue arrumar a própria casa ou motivar seus jogadores. O Santos vive isso a partir de hoje. O Palmeiras já viveu com Eduardo Baptista.

Outro ato grotesco que não cabe mais no futebol dito profissional é o que aconteceu com Cueva, meia do São Paulo. O jogador foi retirado da concentração para a partida com a Ponte Preta porque se valeu de um spray para os pés, indicado pelos médicos do clube, que continha substâncias proibidas. Elas poderiam aparecer no antidoping. Ora, o jogador se prepara a semana toda, o treinador conta com o cara e na hora do jogo ele descobre que o planejamento foi para o brejo por causa de um erro do departamento médico.

Como disse o próprio médico responsável do São Paulo, José Sanchez, não se deve fazer uma caça às bruxas, mas é inegável que bobeadas desta natureza não fazem parte da conduta profissional que se exige atualmente no futebol, tampouco do profissionalismo de um time que se propõe ser sério. O lado bom, se é que podemos enxergar um nisso, foi a rapidez e coragem de Sanchez de assumir o erro e evitar mal pior a Cueva e à própria instituição, que seria o doping do jogador.

Parafraseando Muricy Ramalho, com toda a sua simplicidade, de conversas retas e sem rodeios, a derrota de 1 a 0 do São Paulo para a Ponte Preta, no Moisés Lucarelli, é reflexo da lambança, não somente dela, mas também dela. A bola pune, e puniu o tricolor. É preciso repensar, portanto, quando apontamos Ceni como único responsável pelos fracassos do São Paulo.

Prova de que mudar o comando de um time nem sempre representa melhora imediata é a campanha pífia do Palmeiras com Cuca. Reverenciado na conquista do Brasileirão de 2016, o treinador que entrou no lugar de Eduardo Baptista sofre para ajeitar o time. O empate sem gols em casa com o Atlético-MG recebeu vaias da torcida no Allianz, ou de parte dela. O Palmeiras teve chances, desperdiçou pênalti. Mas o pior de tudo é não conseguir mais fazer boas jogadas.

CORINTHIANS

É preciso mudar o conceito sobre o time de Fábio Carille, inclusive o meu. Ninguém ganha um Estadual por acaso, tampouco consegue se sustentar entre os primeiros do Brasileiro após quatro rodadas. Um dos poucos invictos.

CR7

Qual é a genialidade de Cristiano Ronaldo? É saber de suas limitações e apostar no fundamento que pode diferenciá-lo de um atacante comum, o faro de gol. É por isso que ele está no mesmo nível, por exemplo, de Lionel Messi.

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