Albert Gea / Reuters
Albert Gea / Reuters

Gestão empresarial e venda de atletas garantem recorde de superávit do Grêmio em 2018

Clube gaúcho alcançou R$ 54 milhões de lucro superando Flamengo (R$ 52 milhões)

Gonçalo Junior, O Estado de S.Paulo

30 de março de 2019 | 04h30

Toda segunda-feira, o Conselho de Administração do Grêmio se reúne para discutir os assuntos do clube. São sete dirigentes, seis vice-presidentes e o presidente, que dividem todas as decisões e procuram colocar em prática uma gestão corporativa. Na visão dos dirigentes, essa forma de administração ajuda a explicar o superávit financeiro que o clube alcançou pelo terceiro ano consecutivo.

Em 2018, o clube teve um lucro de R$ 54 milhões, um crescimento de 391% sobre 2017. É o melhor resultado de um time brasileiro no ano passado, superando Flamengo, que alcançou R$ 52 milhões e o Palmeiras (R$ 37 milhões). Foi a maior receita bruta da história (R$ 402 milhões), um aumento de 16% em relação a 2017.

"Desde 2015, nós procuramos aumentar receitas, diminuir despesas, fortalecer as categorias de base para abastecer o time principal e permitir negociações e, por fim, adequar a realidade aos recursos disponíveis",  diz o presidente Romildo Bolzan ao Estado.

Na última semana, o Conselho Deliberativo aprovou uma mudança no estatuto que permite que Romildo concorra à reeleição por mais um mandato de três anos.

Hoje, o clube possui três fontes principais de receita: direitos de transmissão da televisão, quadro social e a venda de jogadores. A última delas tem sido a mais eficaz para equilibrar as contas e, principalmente, reduzir a dívida bancária. Hoje, ela é de R$ 190 milhões - o Botafogo, clube mais endividado do País, deve cerca de R$ 700 milhões.

O clube tem produzido jogadores sob medida para o mercado europeu: atletas que fazem mais de uma função, com idade até 22 anos. Em 2018, o Barcelona pagou 31 milhões de euros (cerca de R$ 140 milhões) pelo volante Arthur. O valor pode chegar a 40 milhões de euros (cerca de R$ 181 milhões), dependendo de metas atingidas. No ano anterior, o clube vendeu o volante Walace por 10 milhões de euros (cerca de R$ 33,67 milhões), dos quais 60% (aproximadamente R$ 20,2 milhões) ficaram nos cofres tricolores, e Pedro Rocha ao Spartak Moscou por 12 milhões de euros (R$ 45,2 milhões na cotação atual). "Nós não podemos comprar o Arthur de volta, por exemplo, mas temos condições de formar novos jogadores", diz Romildo.

O clube tem de se equilibrar financeiramente sem o dinheiro da Arena do Grêmio. Nos próximos 13 anos, o clube tem de destinar a renda das bilheterias, além de cerca de R$ 1,7 milhão todo mês, para pagamento do estádio. O estádio, inaugurado no final de 2012, continua sendo controlado por empresa ligada à OAS.

O outro desafio do clube é continuar vendendo atletas e, mesmo assim, manter a competitividade. Em 2017, o time foi campeão da Libertadores. No ano passado, a equipe de Renato Gaúcho foi semifinalista do torneio sul-americano, parou nas quartas de final da Copa do Brasil e foi quarta colocada no Brasileirão. "Nós temos condições de disputar o título em todas as competições que estamos competindo", garante o presidente.

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