Giba substitui Ferreira no Etti

Giba, ex-técnico do Santos, vai dirigir o Etti Jundiaí dentro do Campeonato Paulista da Série A-2. Ele vai substituir a Luiz Carlos Ferreira, que deixou o cargo após a derrota para o Santo André, por 1 a 0, em pleno estádio "Jaime Cintra". Ferreira pediu demissão, quinta-feira, para evitar um desgaste maior entre a diretoria, a imprensa e a torcida. Apontado como um dos favoritos ao título da Série A-2, o Etti começou a competição muito mal. Em quatro jogos conquistou apenas quatro pontos e ainda não venceu. Empatou dois jogos e, nos pênaltis, somou mais dois pontos extras. O acerto aconteceu nesta sexta-feira no horário do almoço e à tarde Giba já foi apresentado aos jogadores, junto com o novo preparador físico, Lino Fachini Junior. A nova comissão técnica estréia no jogo contra o São José, domingo, em Jundiaí. As bases do contrato não foram reveladas, mas seu salário não deve ser muito inferior a de seu antecessor, que tinha o mais alto salário da Série A-2: R$ 50 mil mensais. "Estou feliz de voltar a Jundiaí e, principalmente, de ter a oportunidade de dirigir o Etti, que tem um grande projeto no futebol", comentou o técnico, entusiasmado com a chance. Giba estava desempregado desde que deixou o Santos, em novembro do ano passado. Na sua carreira como treinador profissional, ele tem o vice-campeonato paulista do ano passado, com o próprio Santos. Em 1999 ele livrou a Sãocarlense do rebaixamento na Série A-2. O ex-lateral direito do Guarani e do Corinthians, começou a carreira de técnico no Valinhos, que disputava a quinta divisão estadual em 1996. No ano seguinte conquistou a Copa São Paulo de Juniores pelo Lousano Paulista.Crise de identidade- Um dos maiores problemas do Etti Jundiaí, administrado pelo grupo Parmalat, é a eterna crise de identidade. A sua fanática torcida e a imprensa local não assimilaram as mudanças de nomes ocorridas nos últimos anos e vários equívocos administrativos. A primeira mudança aconteceu em 1995, quando o tradicional Paulista Futebol Clube se transformou em Lousano Paulista, entrando na era clube-empresa. A parceria, entre altos e baixos, durou até 1999, quando então o clube passou às mãos da Parmalat, garantido por um contrato de arrendamento de 20 anos de duração. O clube, então, virou Etti Jundiaí Futebol Ltda. Com muito dinheiro em caixa, o Etti decidiu investir pesado no futebol. Encontrou muitas deficiências estruturais, como a falta de condições do velho estádio "Jaime Cintra" e a inexistência de locais apropriados para treinamentos. A responsabilidade geral do clube ficou com Marcos Bagatella, adepto do "Esquema Parmalat" montado por José Carlos Brunoro e que revolucionou o futebol do Palmeiras na década de 90. A falta de sensibilidade também causou danos na cidade, principalmente com os torcedores. Um deles: a adoção de uma camisa toda vermelha, ironicamente chamada pela torcida de "tomatão". Só recentemente a falha foi corrigida, com a apresentação do novo uniforme do time. Nela reapareceu o formato do escudo do antigo Paulista, além de ter a manga preta. Com o branco do calção, o time voltou a ser tricolor e menos criticado pela torcida. Mas a imprensa, desde o início do Campeonato Paulista da Série A-2, chama o time apenas de Galo em referência ao Galo do Japi, apelido do Paulista, um dos clubes mais tradicionais do interior paulista fundado em 17 de maio de 1909. Se a convivência com a modernização ainda atrapalha o Etti, a herança da co-gestão da Parmalat com o Palmeiras também já fez muitos estragos. Até o ano passado, o clube absorvia os jogadores renegados da empresa, que não serviam ao Palmeiras e nem ao Juventude-RS. Quando chegavam a Jundiaí estes jogadores recebiam altos salários, conflitando com os chamados "prata-da-casa". O caso mais gritante foi do atacante Mirandinha, ex-Corinthians, que além do salário de R$ 45 mil, não mostrou futebol à altura e ainda acumulou atos de indisciplina. O objetivo inicial era chegar à divisão de elite paulista, mas os tropeços se acumularam e nem técnicos experientes, como Vágner Benazzi, Cilinho e Luiz Carlos Ferreira, conseguiram se salvar. Mesmo com dinheiro, o Etti Jundiaí ainda luta para encontrar o caminho do sucesso.

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