Gil acusa Corinthians de pressioná-lo a jogar

O atacante Gil apontou o descaso do Corinthians em relação à sua recuperação de uma pubalgia como o principal motivo para explicar a má fase que atravessa. Há mais de 200 dias o atacante não sabe o que é marcar gols. Incentivado por seu empresário, Gilmar Rinaldi, o jogador afirmou que no final do ano passado já havia notificado a comissão técnica sobre o problema que o incomodava e impedia de render no campo, mas o clube o submeteu "a um tratamento meia-boca", declarou, hoje, em entrevista à Rádio Jovem Pan. Foi suficiente para criar um constrangimento generalizado. Gil fez questão de deixar claro que hoje está recuperado. Mas sua paciência chegou ao limite e não está mais disposto a deixar sem resposta vários comentários a respeito de alguns hábitos pouco saudáveis seus que rondam o Parque São Jorge. O maior deles é o que o aponta como "baladeiro". "Falaram muita coisa de mim sem ser verdade só para tentar explicar esse mal momento", lembrou. "Acontece que esse problema físico me incomodava bastante. Fui até conversar com o Paulo Angioni (diretor de Futebol) para saber dele que comentários são esses. Não quero mais ninguém falando nas minhas costas." Uma passagem curiosa que o atacante utilizou para explicar melhor sua situação foi a reunião que teve com o grupo após a partida contra o Ferroviário, em Fortaleza, pela Copa do Brasil. "Reuni todos eles e disse que sabia da expectativa que tinham quanto ao meu desempenho, mas que a pubalgia me impedia de render o futebol que todos esperavam", explicou. Ao dar conta da repercussão de suas palavras, Gil ainda tentou contornar a situação à tarde. Porém, só conseguiu colocar ainda mais lenha na fogueira. Gil revelou que foi pressionado, contra sua vontade, a jogar mesmo sem estar na condição ideal. "Cheguei a dizer que gostaria de ficar fora durante o período de recuperação. Porém, recebi ordens para me apresentar quando o Oswaldo (de Oliveira, técnico) assumiu, pois tanto o Marcelo (Ramos) como o Rafael (Silva) estavam machucados e o time não tinha atacantes", revelou. O atleta confessou que relutou em pedir para ficar fora das partidas por causa do medo da repercussão na opinião pública e torcida. "Quando a fase é ruim, tudo o que a gente faz é entendido pelo lado negativo. Se eu peço para não jogar iam dizer que sou pipoqueiro", explicou. Constrangimento - Visivelmente constrangido, o médico Paulo Faria tentou explicar o que aconteceu. Mais de uma vez ressaltou que não entendeu as declarações de Gil como maldosas. "Foi um mal-entendido", disse. "O tratamento no caso dele é clínico, não cirúrgico. Por isso pôde jogar mesmo durante o tratamento. A pubalgia não atrapalhou o desempenho. Existem outros fatores que podem explicar o que está acontecendo. Já falaram até em questões psicológicas, não é mesmo?" observou. Só um detalhe ficou sem resposta. Por que Gil comunicou aos companheiros que não jogava bem por causa do problema? "Não sei nada sobre isso", resumiu o médico.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.