Gil apela para espantar a má fase

Gil não é católico. Mas quando o assunto é afastar a urucubaca que o cerca desde o final do primeiro semestre do ano passado, vale tudo. Até apelar para os santos. Em Extrema, onde o Corinthians realiza a pré-temporada, o atacante apareceu com dois cordões novos no pescoço. Em um deles, que arrebentou durante os treinos desta segunda-feira, está a imagem de Jesus. No outro, a de Maria."Foi um presente dado de coração por um amigo. Eu não sou católico, mas se é para ajudar, está tudo bem", afirmou Gil. "Mal tenho certeza que não vai fazer."E não é difícil compreender a situação do jogador. O Campeonato Paulista nem começou e o técnico Juninho Fonseca já fez questão de demonstrar que Gil é uma de suas maiores preocupações. No domingo, após o jogo-treino contra o Flamengo de Guarulhos (vitória por 1 a 0), o treinador explicou o desempenho abaixo da expectativa do atacante como conseqüência de um "problema emocional".Como se não bastasse, Gil inicia o ano acompanhado da desconfiança dos torcedores após o fraco desempenho do Campeonato Brasileiro de 2003.O atacante corintiano reconhece que está devendo. No entanto, não concorda com o comentário de seu comandante. "Ele (Juninho) já veio falar comigo. O Rivellino (diretor-técnico) também. Eles vêm perguntar o motivo de eu estar quieto, essas coisas. Mas eu já disse que é só o meu jeito. Não tem nada de errado", garantiu. Então, por que as pessoas têm essa impressão de que algo não está bem? "Não sei. É claro que no final do ano passado a gente estava mais triste por causa da situação do time no Brasileiro. Mas foi só isso. Não ficou nenhum trauma. Aprendemos com os insucessos da equipe." Frustrado, eu? - Para pessoas próximas a Gil, até mesmo Juninho, a passagem do jogador pela seleção brasileira que disputou a Copa das Confederações, em junho do ano passado, na França, não foi benéfica. A constatação é de que o atacante imaginava que, uma vez no time de Carlos Alberto Parreira e participando de competição na Europa, sua transferência para um grande clube daquele continente seria facilitada.Fato que não ocorreu.Com o mesmo tom de voz baixo, olhos apontados ora para baixo, ora para os lados, mas falando mais do que normalmente faz, Gil fez questão de acentuar um detalhe: não se sente frustrado por ainda estar no Parque São Jorge enquanto parte de seus companheiros acertaram transferências para o exterior. "Não me sinto na obrigação de arrumar negociação fora do País", disse.E aproveitou para cutucar, mesmo que discretamente, seu empresário, Gilmar Rinaldi. "Faz parte do trabalho dele ficar negociando. É assim que ele ganha dinheiro. Mas não estou preocupado com isso, não." Moral - Apesar da desconfiança generalizada que o cerca, a jovem estrela corintiana ainda está prestigiada. Quando assumiu o time no final do Brasileiro, Juninho chegou a dizer que sua equipe era "Gil e mais 10". É nesse tipo de pensamento no qual o jogador se apóia. "A motivação vem de dentro de mim e no ambiente no qual vivo. Jogar no Corinthians, por si só, já é mais do que suficiente para isso", afirmou.Se isso é verdade, o torcedor poderá começar a constatar a partir de quarta-feira, quando o Corinthians estréia no Campeonato Paulista, às 15h30, em Sorocaba, contra o Atlético.

Agencia Estado,

19 de janeiro de 2004 | 17h48

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