Gil e Magrão podem jogar sábado

Gil e Magrão, os dois grandes ausentes do clássico desta quarta-feira no Morumbi, cumpriram bem o papel de deixar em dúvida os técnicos dos times adversários, manter a esperança dos torcedores na sua presença em campo e, sobretudo, reforçar a imagem de raça que distingue os ídolos de jogares comuns. Na sexta-feira já se notava que eram remotas as chances de Gil enfrentar o Palmeiras na primeira partida das semifinais do Campeonato Paulista. Os médicos do clube não admitiam publicamente, mas não dariam o aval para que o técnico Geninho escalasse o jogador no primeiro duelo. O medo de perder o atacante para o jogo de sábado e, pior, para a partida contra o The Strongest, na terça-feira, pela Libertadores, rondava o Parque São Jorge. O departamento médico do clube vive uma indisfarçável tensão após a saída de Joaquim Grava, que foi demitido depois de brigar com o vice presidente de futebol, Antônio Roque Citadini, que, com a licença médica do presidente Alberto Dualib, divide o comando do clube com Clodomil Orsi e Nesi Curi. Um erro na escalação do jogador seria fatal para os médicos corintianos. ?O Gil não vai jogar. O tempo de recuperação foi muito curto. Ele nem teve chance de treinar com os seus companheiros", informava o médico Paulo de Faria na chegada da delegação corintiana nesta quarta-feira ao Morumbi. O jogador fez bem o seu papel ao falar durante a semana que tinha condições de enfrentar o rival. Contribuiu para manter o mistério. Mas nesta quarta não mostrou aborrecimento por não ter sido escalado. ?Os médicos sabem o que fazem. Acho que sábado eu estarei em campo. O importante é ter tempo de recuperação para atuar, e bem, no sábado", disse. Gil começou a jogar no time profissional do Corinthians em 1999. É a terceira contusão muscular que sofre em quatro anos. ?Como sou um jogador de velocidade, que força bastante os músculos, até que não são muitas contusões." O atacante corintiano assistiu ao jogo das tribunas do Morumbi. No intervalo do jogo, mostrava confiança na reação de seu time. ?Temos condições de mudar o resultado no segundo tempo." Enquanto falava, Gil era observado por um torcedor, que gritou. "Está aí o salvador da pátria." Ao ouvir o comentário do torcedor, Gil tratou de pedir calma. ?Acho que todos os jogadores do Corinthians têm condições de mudar essa situação. Eu só posso prometer que vou treinar muito para poder jogar sábado. Ninguém quer ficar de fora de uma decisão de Campeonato Paulista." O volante Magrão sabia desde segunda-feira que não podia jogar. Após o choque com o lateral-direito Neném, que provocou a fratura de dois dedos da mão esquerda, as dores eram fortes demais. O local continuou muito dolorido depois da cirurgia. Mesmo assim, Magrão dizia diariamente que queria jogar. Sabia que o discurso fortaleceria a imagem de raçudo e jogador determinado que construiu no Parque Antártica. ?Quero jogar. Se depender de mim, jogo." Com uma proteção de plástico que cobria o antebraço esquerdo, o volante chegou ao Morumbi mantendo o discurso de guerreiro. ?Vou fazer um teste no vestiário, mas quero jogar. Se não der, prometo estar em campo no sábado", dizia, sem muita convicção. Cercado pelos repórteres, Magrão falava e ia em direção ao vestiário. Após livrar-se dos repórteres, levou um grande susto. Um auxiliar de cinegrafista de uma emissora de televisão puxou o seu braço machucado. Magrão ficou furioso. ?O que é isso, cara? Está louco?", gritou, colocando a mão direita sobre o braço esquerdo e balançando a cabeça em sinal de desaprovação pelo ato impensado.

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