Gil trocará o Corinthians pelo Japão

De chinelos, bermudão e óculos escuros, Gil passeava na tarde desta quinta-feira pelo Parque São Jorge, rodeado de amigos. Foram oito anos de casa encerrados com uma rescisão contratual que se arrastava com conversas e mais conversas havia quase um mês. Uma despedida melancólica para quem já deu muitas alegrias à Fiel.Gil sai para jogar no Japão. Ele assina na semana que vem um contrato de seis meses com o Verdy Tokyo, clube do atacante Washington, ex-Ponte Preta e Atlético-PR.Os japoneses vão pagar US$ 250 mil (R$ 588 mil) ao Corinthians pela rescisão de Gil, que vinha afastado do grupo havia três semanas, sem poder jogar ou treinar com bola - ele ia até o clube, vestia o uniforme de treino e ficava correndo em volta do gramado, vendo os colegas de longe.Agência Estado - O Anderson se despediu hoje do grupo e ganhou uma salva de prata da diretoria, como reconhecimento pelos serviços prestados ao clube. Você está saindo com um contrato rescindido, e isso após uma "geladeira" de três semanas. Como se sente saindo dessa maneira? Magoado?Gil - Não. Claro que estou um pouco chateado. Não queria que as coisas fossem dessa maneira. Mas não me sinto desprestigiado, porque o Corinthians quis muito que eu ficasse. Até me ofereceram uma boa proposta para ficar e renovar por mais um ano. Eu que não quis.AE - Por quê?Gil - Porque senti que era a hora de sair, de encarar algo novo.AE - Contribuiu para essa sua decisão o fato de todos os jogadores da sua geração, como o Edu, o Kléber e o Ewerthon, já terem deixado o clube?Gil - Sim, claro. O último agora foi o próprio Anderson.AE - Algo mais o aborrecia?Gil - Entrei numa fase chata. Só neste ano me machuquei três vezes. Fazia três boas partidas e depois me machucava. Isso estava me incomodando bastante, me deixando pra baixo. Acho que num lugar novo as coisas podem mudar.AE - Como foram esses dias em que esteve proibido de jogar?Gil - Foi ruim, claro, mas não foi algo imposto pela diretoria. As pessoas acham que estávamos brigando, mas na verdade estávamos só negociando. Ficar sem jogar e treinar com bola foi uma decisão acertada, para que eu não corresse o risco de me machucar e atrapalhar a negociação com outro clube.AE - Você ainda pode voltar a jogar pelo Corinthians?Gil - Claro. Saio de cabeça erguida. Tenho muito carinho pelo clube. Cheguei com 16 anos (tem 24). Tive muitas alegrias, fiz muitos amigos. O que mais me marcou foram os títulos do Paulista (2003), da Copa do Brasil (2002)...

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.