Gilson Kleina continua no Palmeiras com prazo de validade

Nobre garante que o trabalho do técnico está sendo avaliado de acordo com planejamento do clube

Daniel Akstein Batista, O Estado de S. Paulo

29 de março de 2013 | 09h16

SÃO PAULO - Uma multa alta, a falta de opções compatíveis no mercado e um planejamento da diretoria deram uma sobrevida a Gilson Kleina no Palmeiras, que continua no cargo após a vexatória goleada sofrida para o Mirassol por 6 a 2, na noite de quarta-feira. Mas, a não ser que o treinador consiga ótimos resultados daqui para frente, é questão de tempo até que ele seja demitido.

Kleina está garantido no Palmeiras enquanto não acabarem a primeira fase do Campeonato Paulista e da Taça Libertadores. Por enquanto, o presidente Paulo Nobre diz que não trabalha sob pressão e que não adianta a torcida pedir a saída do treinador que isso não acontecerá, mas admite que Kleina está sob uma análise criteriosa. "Ele está sendo analisado dentro de um planejamento interno, e não será por causa de uma ou outra derrota que ele deixará de ser nosso técnico", disse o cartola.

Se o time não conseguir a classificação à próxima fase do Estadual ou da Libertadores, aí sim a situação de Kleina ficará insustentável. E o presidente não terá mais desculpas para mantê-lo no cargo.

Nobre usou mais de 15 vezes a palavra "planejamento" em sua entrevista, tentando mostrar os motivos que levaram a diretoria a bancar Gilson Kleina, mas evitou dar respostas mais objetivas para algumas questões.

Uma delas, inclusive, era sobre o que significava o tal planejamento. "É assunto interno", afirmou. Perguntado se o atual grupo alviverde é bom, Nobre também saiu pela tangente: "Esse é o elenco do Palmeiras, que eu confio, que tem vergonha na cara e que tem brio", disse. "Esse é o elenco para 2013, não estamos aqui para iludir o torcedor. E exigimos comprometimento dos jogadores."

Sem dinheiro para contratar, Nobre sabe que não dá para exigir muito mais de Kleina no momento, pois o time, apesar de ter jogado com vários desfalques na quarta-feira, não é muito diferente daquele que sofreu a goleada em Mirassol. E já adianta que será difícil conseguir bons reforços nessa temporada.

"O Palmeiras está sempre aberto para bons jogadores, mas o problema financeiro existe, é real, e tentamos fazer contratações dentro das condições do clube", afirmou José Carlos Brunoro, diretor executivo.

SEM CAIXA

Os cofres vazios impedem também uma mudança drástica na comissão técnica. Se demitisse Kleina, o clube teria de pagar cerca de R$ 1,5 milhão para o treinador de multa rescisória – o valor seria a metade do que ele receberia até o final do contrato, em dezembro.

Sem Kleina, a diretoria também teria dificuldades em encontrar um novo técnico. Os desempregados Mano Menezes e Dorival Júnior são os nomes mais fortes que já vêm sendo comentados no clube, mas Paulo Nobre não gostaria de trazer alguém que recebesse mais que Kleina. Não na atual situação financeira do Palmeiras.

A não ser os jogadores que chegaram neste ano, todos os outros estão com dois meses de direitos de imagem atrasados, e a diretoria ainda não sabe quando vai quitar sua dívida.

Sem perspectivas de melhora, Paulo Nobre e Brunoro se reuniram ontem com todo o elenco para uma conversa antes do treino. "Fiz questão de bater um papo com os jogadores, pois não queria que a derrota vexatória mudasse a cabeça deles", explicou o presidente, que classificou a derrota de anteontem como "fatalidade". "Uma derrota por seis nunca é normal, mesmo desfalcado. Mas esse tipo de fatalidade acontece no futebol."

Enquanto Brunoro afirma que a diretoria tem que dar a Kleina uma "condição de trabalho para ele ter uma continuidade", Nobre diz que se o treinador "cumprir o que esperamos dele, ele será sem duvida o técnico do time na Série B."

Os dois, no entanto, cobram resultados para não serem obrigados a mudar de ideia.

FOTO: Ernesto Rodrigues/Estadão

Tudo o que sabemos sobre:
PalmeirasfutebolGilson Kleina

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.