Globo reclama do atraso nos jogos do Paulistão

Emissora pressiona Federação Paulista de Futebol para que partidas começam no horário estipulado

Marcel Rizzo, Jornal da Tarde

18 de março de 2008 | 22h25

O torcedor que acompanha o Campeonato Paulista no estádio ou pela tevê está tendo de se acostumar com freqüentes atrasos no início dos jogos. E a TV Globo, que detém os direitos de transmissão, entrou em contato com a Federação Paulista de Futebol (FPF) pedindo providências. A emissora alega que a situação fere parte do contrato entre ambos. Veja também: Bate-pronto: A falta de informação nas TVs No acordo que firma com anunciantes, a Globo estipula horários, que geram os valores que serão pagos. Na prática, a pressão da emissora serve apenas como satisfação a seus parceiros, já que a FPF não vê como risco, por exemplo, pagar multa ou ver o contrato encerrado. Considerada culpada à primeira vista, a obrigatoriedade da execução do Hino Nacional antes dos duelos, determinação da Lei Estadual nº 10.876/01, é absolvida pela FPF. A entidade culpa os clubes. A entidade disse que orientou os times antes da competição a entrarem em campo com pelo menos dez minutos de antecedência, para o hino poder ser tocado sem pressa. Isso, porém, não é cumprido. Na última rodada do campeonato, Palmeiras e São Paulo subiram para o campo com atraso. Resultado: hino tocado em versão completa (o que não ocorria antes, quando só metade era ouvido, ferindo a lei) e atraso de dez minutos para o início do clássico. O mecanismo de fiscalização da FPF é a súmula. Mas, no caso do clássico, o relógio do árbitro Flávio Rodrigues Guerra parece ter parado: o relatório diz que o jogo começou pontualmente às 16 horas. A FPF diz que a única maneira de coibir os atrasos é com a aplicação de multas pelo TJD. Como determina o artigo 215 do Código Brasileiro de Justiça Desportiva, se o clube atrasar início da partida, seja do primeiro ou do segundo tempo, paga R$ 1 mil por minuto. Neste campeonato, o São Paulo foi condenado a pagar R$ 4 mil porque atrasou o jogo contra a Portuguesa. Levantamento das últimas duas rodadas mostra que dos 20 jogos disputados metade começou com atraso. Entre os motivos alegados nas súmulas estão a execução do hino, minuto de silêncio, falta de ambulância (no jogo entre São Caetano e Santos, no domingo passado, aconteceu isso) e até pedido do SporTV, dos canais Globosat, no caso de São Caetano x Marília - a emissora, no entanto, garantiu que não interfere nesses horários. INVESTIGAÇÃOA Secretaria de Direito Econômico (SDE) do Ministério da Justiça encerrou em 1.º de março a investigação sobre o critério para a compra do televisionamento do Campeonato Brasileiro nos anos de 97 a 99. O órgão entendeu que a cláusula de preferência na renovação é lesiva à concorrência. São investigados o Clube dos 13, TV Globo, TV Bandeirantes, Globosat e TVA (que na época negociou a transmissão de jogos de times menores). A SDE deu dez dias para as alegações finais e depois o parecer será enviado ao Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), que julgará o caso. Se condenados, pagarão multas milionárias. Só a Globo deu sua posição: vai apresentar as alegações finais e aguardar o prosseguimento do caso. Curiosamente, a TV Globo fechou na última semana, por R$ 450 milhões, o televisionamento do Campeonato Brasileiro de 2009 a 2011, levando em conta a cláusula de preferência. A Record deixou a negociação reclamando. A disputa para transmissão ficou restrita à tevê fechada, na qual a Globosat tem concorrência de ESPN e Bandsports.

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