Clayton de Souza/Estadão
Clayton de Souza/Estadão

Gobbi, presidente do Corinthians, diz que acordo com a Caixa sai em breve

Dirigente confirma ao Conselho que banco será o repassador do empréstimo do BNDES

VÍTOR MARQUES, O Estado de S.Paulo

25 de abril de 2013 | 07h32

SÃO PAULO - Corinthians e Odebrecht vão anunciar em breve que a Caixa Econômica Federal será o banco repassador do empréstimo do BNDES de R$ 400 milhões para a construção do Itaquerão, o estádio de abertura da Copa de 2014.

Na segunda-feira, em reunião do Conselho Deliberativo do Corinthians, o presidente Mário Gobbi disse aos conselheiros que o clube “está muito próximo” de fechar com a Caixa, encerrando as negociações com o Banco do Brasil.

 

O empréstimo do BNDES está liberado há um ano, mas nem o clube nem a construtora, por meio de um fundo imobiliário criado para a operação, tiveram acesso à linha de crédito.

 

O empréstimo precisa ser disponibilizado por um banco repassador porque um clube não pode receber o dinheiro diretamente. Seria o Banco do Brasil, mas as exigências pedidas não foram atendidas pelo fundo imobiliário formado por Odebrecht e Corinthians.

 

Na semana passada, a Caixa admitiu que pode intermediar o empréstimo do BNDES para o Corinthians construir o Itaquerão – o banco informou ao Ministério Público Federal que estuda participar do negócio.

 

“Os estudos relativos à eventual operação da Arena de São Paulo encontram-se em fase de avaliação interna inicial, ainda não conclusiva”, disse a nota divulgada pelo banco ao MPF.

 

Para o BNDES, a escolha pela Caixa não muda nada. Após o acerto, o cronograma de desembolso do dinheiro será bem mais rápido do que o normal porque a obra já está em estágio final de conclusão.

 

Esse é o último entrave para a construção do estádio que vai receber a abertura da Copa de 2014. A demora em obter o empréstimo fez com que o ex-presidente Andrés Sanchez, um dos responsáveis pelo estádio, ameaçasse paralisar a obra.

 

Gobbi tranquilizou os conselheiros quanto ao andamento das obras, que atingiram 70% de conclusão. Em breve, o estádio vai ganhar as arquibancadas móveis necessárias para ampliar a capacidade para 65 mil pessoas – necessária para a abertura.

 

O presidente também confirmou ao Conselho as declarações de Andrés Sanchez de que o clube negocia com três empresas a comercialização do nome do Itaquerão. Havia mais interessados, mas a partir de agora as opções se limitam a essas três empresas.

 

Com uma delas, o negócio está “avançado”, segundo disse o presidente. Há até uma carta de intenções entre o clube e essa empresa para concretizar o acordo. Gobbi não revelou o nome da empresa.

 

Conselheiros disseram que o clube não quer inaugurar o estádio sem ter vendido os naming rigths. A ideia é que o estádio esteja pronto em dezembro, embora exista chance de que seja concluído em setembro. Por ser o mês de aniversário do Corinthians, setembro também é considerado ideal para o anúncio do nome da empresa que vai batizar o Itaquerão.

 

Gobbi ainda acredita que pode negociar o nome do Itaquerão por cerca de R$ 400 milhões por um período de 20 anos. O acordo fechado ontem pela construtora WTorre com a Allianz pelos naming rights do novo estádio do Palmeiras (R$ 300 milhões por 20 anos) ajuda o Corinthians a alcançar sua meta. No clube, o fato de o estádio ser utilizado na abertura da Copa “valoriza” ainda mais a venda do nome.

 

A proximidade dos eventos esportivos (Copa das Confederações e Copa do Mundo) fez com que as negociações pelos naming rights esquentassem, segundo o dirigente. Além disso, o Corinthians negocia a venda de camarotes que, de acordo com dirigentes, poderão render até R$ 100 milhões por ano.

 

O Corinthians também espera arrecadar com a comercialização de espaços para bares, restaurantes e estacionamento. Andrés Sanchez garante que o estádio, depois de pronto, vai gerar receitas de até R$ 200 milhões por ano.

 

NÚMEROS

R$ 400 milhões: é o valor do empréstimo que foi liberado pelo Banco Nacional  de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para que o Corinthians e a Odebrecht tocassem as obras de construção do Itaquerão.

 

R$ 200 milhões por ano é o que o estádio poderá gerar de receitas para o Corinthians, de acordo com o ex-presidente do clube, Andrés Sanchez.

 

70% das obras do estádio já foram concluídas pela construtora. A previsão de entrega é para o mês de dezembro, mas existe uma pequena chance de que seja concluído antes, até mesmo em setembro.

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