Goiás x Vila Nova: caso deve parar no STJD

A polêmica decisão do Tribunal de Justiça Desportiva (TJD) de anular o jogo entre Goiás e Vila Nova, além de suspender o árbitro André Luiz Castro, deve acabar no Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) da CBF. É o que prometem as duas equipes por temer seus interesses prejudicados. O TJD anulou, um mês depois, a partida Goiás 1 x 0 Vila Nova. O time perdedor alegou suposto erro de arbitragem, argumento que foi acatado, na terça-feira, pelos auditores da entidade. "Nós vamos até a última instância com este caso", avisa Raimundo Queiroz, presidente do Goiás. "Não vamos recuar porque fomos lesados", garante Maurílio Teixeira, advogado do Vila Nova, que nesta quinta-feira participou de workshop da CBF, no Rio de Janeiro, juntamente com auditores e o presidente do TJD de Goiás, Alexandre Magno.A nova confusão chama-se recurso ao Pleno do TJD. O Goiás anunciou nesta quinta-feira que entrará com recurso contra a decisão do Tribunal nesta sexta-feira. Alega, entre outras coisas, que "nenhuma regra do futebol foi violada" no decorrer da partida, segundo explicou o advogado João Bosco Luiz de Morais. Se tiver êxito no julgamento - com previsão para ocorrer entre 15 e 20 dias - o resultado do jogo será mantido. Mas provocará a reação do Vila Nova, que tenciona recorrer ao STJD. "Todos (os clubes) ameaçam recorrer ao STJD contra qualquer que seja a decisão tomada pelo Pleno", afirma Adalberto Grecco, secretário-executivo do TJD de Goiás.Parte da decisão inédita do TJD foi revertida nesta quinta-feira. O advogado Alexandre Abreu obteve sucesso no seu pedido de efeito suspensivo à pena imposta ao árbitro André Luiz Castro. Isto significa que o juiz entrará nos sorteios dos jogos do campeonato Goiano, a serem disputados neste final de semana, mas aguardará julgamento do Pleno.Sopa de leis - O emprego de diferentes leis de variados códigos, além da combinação de fotos e imagens da tevê, incendiaram a polêmica. Segundo o auditor Robson Pereira, no julgamento foram aplicados artigos do Estatuto do Torcedor e do novo Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD), que entrou em vigor no mês de janeiro. "As imagens da tevê mostram que o erro do juiz influenciou no resultado final do jogo", disse o auditor. Partindo do princípio que o erro estava comprovado, os auditores buscaram em dois artigos do CBJD a punição ao árbitro. O Artigo 273 que versa sobre a Infração dos Árbitros e Auxiliares e Delegados diz que "praticar ato com excesso ou abuso de autoridade", sujeita o seu autor à pena de 60 a 180 dias de suspensão ou eliminação.Prova - A imagem da tevê, que se tornou a prova da polêmica, mostra um gol do Vila Nova anulado aos 33 minutos do primeiro tempo, quando o jogo estava 0 a 0. No lance, o goleiro Harlei, do Goiás, subiu para cortar um cruzamento, mas esbarrou no atacante Mendes, não segurou a bola e caiu. O volante Tim aproveitou a sobra para marcar o gol, anulado pelo juiz. A decisão do árbitro de anular o gol provocou o julgamento do Tribunal, a pedido do Vila Nova, e a impugnação da partida foi baseada no texto do Artigo 275 do novíssimo CBJD: "Proceder de forma atentatória à dignidade do desporto com o fim de alterar resultado de competição", reza o Código.

Agencia Estado,

04 de março de 2004 | 18h38

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