Reprodução da TV
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Tricampeonato mundial do São Paulo completa dez anos

Time bateu o Liverpool no Japão com grande atuação de Ceni

Ciro Campos, O Estado de S. Paulo

18 de dezembro de 2015 | 08h00

O torcedor do São Paulo se lembra nesta sexta-feira de um dos maiores feitos da história do clube. Há exatos dez anos a equipe do Morumbi voltava ao topo do mundo após derrotar o Liverpool, da Inglaterra, por 1 a 0, no Japão, e confirmar o terceiro título mundial de sua história. A geração de Rogério Ceni, Mineiro, Lugano e Amoroso dava aos fãs a mesma alegria vivida no começo da década de 1990 quando Zetti, Raí, Müller e o técnico Telê Santana pregaravam um futebol ofensivo e bonito.

O longo caminho entre essas duas eras vitoriosas no Morumbi custou ao São Paulo 12 anos de espera. Entre 1993 e 2005, a equipe amargou temporadas sem títulos brasileiros e dez anos sem sequer disputar a Copa Libertadores. A expectativa foi recompensada com uma jornada impecável em 2005, com as conquistas do próprio torneio continental, somado ao título do Paulista e, por fim, em 18 de dezembro, com a festa do Mundial de Clubes.

Aquela competição no Japão marcava a volta da organização da Fifa ao torneio. Embora tivesse realizado a primeira edição em 2000, no Brasil, vencida pelo Corinthians, a entidade máxima do futebol não realizou a competição internacional interclubes nos anos seguintes, até chegar em 2005 e escolher o país asiático como sede. Disputaram a taça os seis times campeões continentais daquele ano, já no atual formato.

O São Paulo estreou já na semifinal contra o Al Ittihad, da Árabia Saudita, em Tóquio. Em partida nervosa, a equipe do técnico Paulo Autuori sofreu para ganhar por 3 a 2, com dois gols de Amoroso e outro de Rogério Ceni, cobrando pênalti. A equipe asiática pressionou bastante no fim e deixou o torcedor são-paulino inseguro sobre como a equipe do Morumbi conseguiria vencer na grande final.

O favorito Liverpool chegou ao Japão em ótima fase. Liderado pelo meia Steven Gerrard, o time inglês havia vencido a Liga dos Campeões de forma heróica, após levar de 3 a 0 do Milan no primeiro tempo, reagir na etapa final e ganhar nos pênaltis. O clube vinha de bons resultados recentes, como 11 jogos sem tomar gols, o último deles já no Mundial de Clubes, quando em ritmo de treino fez 3 a 0 no Saprissa, da Costa Rica.

Dias antes da final, a equipe brasileira sofreu um grande susto. Durante um treino, Ceni sentiu dores no joelho enquanto cobrava faltas. O jogador chegou a sentir dores e consultou o médico ortopedista e superintendente de futebol na época, Marco Aurélio Cunha, que notou a gravidade da situação. Porém, ele preferiu omitir isso do goleiro, que foi para o jogo. A presença de Ceni foi fundamental para o título brasileiro. Em uma das melhores atuações da carreira, o são-paulino fez ótimas defesas, como espalmar uma cobrança de falta de Gerrard que entrava no ângulo, e salvou as inúmeras chances inglesas de gol. O azarão São Paulo pouco conseguia criar e nos poucos minutos que teve essa chance, decidiu a final.

GOL

Aos 26 minutos do primeiro tempo, o atacante Aloísio dominou e viu o volante Mineiro se desmarcar. O pequenino meio-campista apareceu entre os dois zagueiros do Liverpool para entrar na área e tirar do goleiro Reina. A invencibilidade do time inglês estava encerrada e o sonho do trimundial ficava mais palpável. O restante do jogo foi de agonia para o torcedor são-paulino. A equipe europeia pressionou, teve três gols corretamente anulados por impedimento e deu muito trabalho para Rogério Ceni. O goleiro foi escolhido o melhor jogador tanto da final quanto do Mundial de Clubes. Outra honra para ele foi erguer a taça de campeão. Prêmio justo para simbolizar a retomada de um jogador que uniu duas gerações responsáveis por dar orgulho aos fãs do time do Morumbi.

FICHA TÉCNICA DA DECISÃO

SÃO PAULO 1 X 0 LIVERPOOL

SÃO PAULO: Rogério Ceni; Fabão, Lugano e Edcarlos; Cicinho, Mineiro, Josué, Danilo e Júnior; Amoroso e Aloísio (Grafite). Técnico: Paulo Autuori.

LIVERPOOL: Reina; Finnan, Carragher, Hyypia e Warnock (Riise); Sissoko (Pongolle), Gerrard, Xabi Alonso, Luís Garcia e Kewell; Morientes (Crouch). Técnico: Rafa Benítez.

Gol: Mineiro, aos 26 minutos do primeiro tempo

Cartões amarelos: Lugano e Rogério Ceni

Público: 66.821

Local: Yokohama, no Japão

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