Goleiro alemão Oliver Kahn decide encerrar sua carreira

Jogador de 38 anos, se aposenta após ter conquistado oito títulos alemães e seis Copas da Alemanha

KEVIN FYLAN, REUTERS

15 de maio de 2008 | 12h16

Para alguém que conquistou tantos títulos, é estranho que a imagem que vai perdurar de Oliver Kahn seja a solidão do goleiro após a falha que decretou a derrota da Alemanha na final da Copa do Mundo de 2002 para o Brasil. Kahn, que faz seu último jogo como profissional no sábado, quando o Bayern de Munique recebe o Hertha Berlim pelo Campeonato Alemão, passou a maior parte dos 21 anos de carreira dividido entre as polêmicas fora de campo e a admiração dos torcedores. Enquanto a torcida do Bayern sempre o amou, foi apenas quando ele cometeu um erro e foi derrotado que o restante da Alemanha declarou seu carinho por ele. O goleiro de 38 anos, que foi contratado pelo Bayern junto ao Karlsruhe em 1994, se aposenta após ter conquistado oito títulos alemães e seis Copas da Alemanha. Ele foi eleito o melhor jogador da Copa do Mundo de 2002, o melhor em campo na vitória do Bayern sobre o Valencia na final da Liga dos Campeões de 2001 e o melhor goleiro do mundo em três ocasiões. O jogo de sábado em Munique será o 557.º de Kahn na Bundesliga, um recorde para goleiros. "Nunca teríamos conquistado a Liga dos Campeões sem as atuações de Kahn, e sua personalidade e vontade fora de campo", disse o presidente do Bayern, Karl-Heinz Rummenigge. "Ele é o nosso jogador mais importante da última década." Kahn é o tipo de jogador que os torcedores rivais adoram odiar. Conhecido na Alemanha como Rei Kahn, ele tinha absoluta dedicação para vencer, e às vezes exagerava ao criticar companheiros de equipe por atuações ruins. Mas houve momentos em que torcedores alemães e do restante do mundo demonstraram carinho pelo goleiro. Em 1999, o Bayern de Kahn perdeu a final da Liga dos Campeões para o Manchester United após uma final incrível, em que o time inglês marcou dois gols nos últimos segundos. Na ocasião, houve uma onda de solidariedade com Bayern e Kahn em particular, em vez de críticas à derrota da equipe. Na Copa do Mundo de 2002, Kahn conduziu a Alemanha até a final com defesas espetaculares, mas na final acabou falhando no lance que resultou no primeiro gol de Ronaldo, na vitória de 2 x 0 do Brasil. Kahn ficou desolado debaixo das traves após o final da partida. Quatro anos depois, o goleiro teve outra frustração, quando o técnico Juergen Klinsmann optou por Jens Lehmann, seu grande rival, como titular da seleção no Mundial realizado no país. Mesmo muito abatido, Kahn aceitou a reserva e foi considerado um exemplo de comportamento esportivo para o país.  

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