Divulgação/ Rio Branco
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Goleiro Bruno obtém liminar para retirar tornozeleira eletrônica durante jogos

Jogador afirma que não pode usar o equipamento por motivos de segurança e vai apresentar sua defesa com base em uma regra da CBF

Andreza Galdeano, O Estado de S.Paulo

10 de setembro de 2020 | 16h39

O goleiro Bruno Fernandes, do Rio Branco-AC, conseguiu uma liminar para a retirada da tornozeleira eletrônica durante as partidas oficiais da equipe. De acordo com o juiz Hugo Torquato, da Vara de Execuções Penais, a decisão é válida pelo prazo inicial de 30 dias.

Bruno deve retirar o equipamento duas horas antes dos jogos e colocar novamente até duas horas depois. O Rio Branco ficará responsável por levar o jogador até o Instituto de Administração Penitenciária do Estado do Acre para o procedimento.

Neste prazo, o juiz informou que o goleiro deverá comprovar que "buscou obter, junto ao organizador das competições, autorização para participação nos torneios sem a retirada do equipamento."

Em contato com a reportagem do Estadão, o empresário do jogador, Bruno Kling, explica que a liminar serve apenas para jogos e o promotor exigiu que a defesa apresentasse os motivos pra retirar a tornozeleira eletrônica. Sendo assim, o goleiro vai usar a regra 4 da Confederação Brasileira de Futebol (CBF).

De acordo com a CBF, por motivos de segurança os jogadores não podem usar equipamento ou qualquer artigo que seja perigoso. "É proibido o uso de qualquer tipo de joias (colares, anéis, pulseiras, brincos, fitas em couro ou plástico, etc.), devendo ser retiradas antes do início do jogo. Não é permitido o uso de fita adesiva para cobrir tais equipamentos", diz trecho da regra.

"Se um jogador estiver vestindo ou usando qualquer equipamento perigoso, o árbitro deve ordenar ao jogador que: retire o objeto em questão; saia do campo de jogo, na próxima interrupção de jogo, se não for possível ou se recusar a tirar o equipamento perigoso. O jogador que se recusar a acatar a ordem ou que voltar a usar o equipamento perigoso, deve ser advertido com Cartão Amarelo", afirma a entidade.

Ainda segundo Bruno Kling, a defesa vai questionar o risco do aparelho ser danificado e quem vai arcar com os custos caso isso aconteça. Além das principais queixas do atleta, sobre a segurança física dele e dos demais companheiros de equipe. 

Para reforçar o pedido, foi registrado boletim de ocorrência na Delegacia de Flagrantes de Rio Branco (Defla) na noite desta terça-feira. No local, ele reclamou que o equipamento machucou o seu tornozelo durante um treino e pediu exame de corpo de delito.

O goleiro está usando a tornozeleira eletrônica desde o dia 3 de agosto. O pedido foi feito pelo Ministério Público do Estado do Acre (MPAC) junto à Justiça estadual. O atleta cumpre pena em regime semiaberto.

CARREIRA

Bruno, de 35 anos, foi condenado pela Justiça a mais de 20 anos de prisão pelo sequestro, assassinato e ocultação de cadáver da ex-namorada e modelo Eliza Samudio, ocorrido em 2010. Nesse momento, ele cumpre sua pena no regime semiaberto. Antes da condenação, havia defendido Atlético-MG e Flamengo.

O goleiro tenta retomar a carreira, mas por enquanto teve apenas passagens curtas no futebol. No início deste ano, o Operário-MT desistiu da contratação de Bruno após protestos de torcedores. O mesmo já havia acontecido com o Fluminense de Feira. 

Em 2017, após habeas corpus, Bruno acertou com o Boa Esporte e chegou a realizar cinco partidas antes de voltar para a prisão. Em 2019, atuou por meio tempo pelo Poços de Caldas. Em julho desde ano, ele assinou com Rio Branco.

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