Pedro Ernesto Guerra Azevedo / Santos FC
Pedro Ernesto Guerra Azevedo / Santos FC

Vanderlei: 'Goleiro tem de ser bom com as mãos'

Ídolo santista, Vanderlei teve de jogar mais com os pés após críticas do técnico Jorge Sampaoli

Entrevista com

Vanderlei - goleiro do Santos

Gonçalo Junior, O Estado de S.Paulo

20 de fevereiro de 2019 | 04h30

Depois que Sampaoli pediu a contratação de um goleiro habilidoso com os pés, Vanderlei passou a treinar mais esse fundamento. Além disso, diz que já fazia o mesmo com o técnico Dorival Junior. Mas afirma que o mais importante é ser bom com as mãos. “Alguns técnicos não gostam de ver o goleiro sair jogando. Importante é ser bom com as mãos”, disse ao Estado. A torcida ficou ao lado do ídolo. Na Vila, ele é aplaudido até quando toca de lado para o zagueiro. A diretoria, por sua vez, cedeu ao treinador e contratou Éverson, que estava no Ceará. “Não existe rivalidade. Um ajuda o outro”, concilia o santista. 

Sampaoli é muito diferente dos técnicos brasileiros?

Essa diferença não vem pelo fato de ele ser estrangeiro. Cada treinador tem uma filosofia de trabalho. A gente tem de adaptar. O mais importante é que os resultados venham junto. 

O que mais chamou sua atenção no estilo dele?

Ele é um técnico intenso. Trabalha com a linha muito alta (jogadores sempre próximos da área adversária). A gente tem de defender com a bola nos pés. Se o adversário não tiver a bola, ele não poderá nos atacar. 

O que é ser intenso?

O treino é forte, sem parar. Dentro de campo, não queremos deixar o adversário respirar e pensar o jogo. A gente tenta pressionar o tempo todo para recuperar a bola. 

Como você recebeu as críticas de não saber jogar com os pés?

Ele (Sampaoli) estava fora do País e não acompanhava muito bem o tipo de trabalho aqui. A gente trabalhava com treinadores que não gostavam de sair jogando com o goleiro. Eles pediam para a gente chutar para o centroavante brigar lá na frente. Isso é característica de cada treinador. A gente começou a trabalhar a saída de bola com o Dorival. 

O Sampaoli é parecido com o Dorival então?

Sim. A gente trabalhou muito isso (saída de bola) com o Dorival Júnior. Ficamos quase três anos fazendo esse tipo de trabalho. Quando o Sampaoli chegou, foi só se readaptar. Só acho que a situação não foi conduzida da melhor forma. 

Pelo treinador?

Não falo dele especificamente. Falo da situação geral, imprensa e diretoria do clube. Foram muitas notícias falando dos goleiros do Santos. Se a diretoria quer contratar um goleiro, é só ir lá e contratar. Foram muitas matérias negativas, que diziam que os goleiros não sabiam jogar com os pés. É preciso dar tempo ao tempo. 

Hoje você treina mais com a bola nos pés?

Sim. Se ele quer que o jogador atue com os pés, tenho de fazer isso. Mas eu já estava acostumado. Foi uma readaptação. 

Isso é fundamental?

Alguns clubes necessitam, outros, não. O fundamental é com as mãos. Não adianta ser o melhor com os pés e não resolver debaixo das traves. 

E o Éverson?

As pessoas pensam que existe rivalidade entre a gente. Não é assim. O ambiente é bom, de respeito e descontração. O Éverson é um cara bacana. Um ajuda o outro no Santos. 

O goleiro precisa de ritmo de jogo. Por outro lado, o Santos tem dois bons goleiros. Como será esse revezamento?

Não digo revezamento. É preciso poupar os atletas por causa do desgaste das viagens. Temos uma comissão grande que vê o cansaço de cada um. Não só os jogos desgastam, mas principalmente as viagens. Sou fominha, quero jogar em todos os torneios, mas o Éverson vai mostrar o trabalho dele. O Santos está bem servido. 

O São Paulo procurou você?

Foi uma relação entre os clubes, o contato ocorreu apenas entre os presidentes. O Peres falou que houve uma procura, mas acabou vetando. Não fiquei pensando muito nisso. Estou muito feliz no Santos. 

Você é tímido? É verdade que não gosta de entrevistas?

Não gosto de ficar falando toda hora. Fica maçante. Mas não tenho problema em falar. Eu entendo que no Brasil é preciso ter assuntos sobre futebol o tempo todo. O futebol tem uma importância grande aqui. 

Hoje, você está com 35 anos. Já pensa em aposentadoria?

Eu me cuido muito. Cuido da alimentação, faço academia e respeito a recuperação após os jogos. Acho que dá para jogar até os 41 anos mais ou menos. Mas é difícil prever o que vai acontecer no futuro. 

E a seleção brasileira?

O principal é estar bem no clube. A convocação não depende só da gente. Existem outros profissionais. Temos de respeitar e buscar nosso espaço. 

Desistiu de ser convocado?

Não podemos desistir nunca, independentemente da idade ou do tempo que já está passando. Penso dessa maneira.

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