Goleiros viram heróis na rodada

A média de quase três gols por partida da 37.ª rodada do Campeonato Brasileiro no fim de semana (34 em 12 jogos) poderia ter sido muito maior se alguns goleiros não tivessem atuações destacadas, com defesas inacreditáveis. O são-paulino Rogério Ceni foi apontado pelo Santos como o maior obstáculo para que a equipe de Vanderlei Luxemburgo não reassumisse o primeiro lugar no Brasileiro no domingo. "Um clássico é decidido muitas vezes em uma lance. O Rogério foi perfeito em vários deles", afirmou o meia santista Ricardinho. Rogério travou um duelo com Robinho e venceu. O habilidoso atacante santista surgiu em duas oportunidades diante da "barreira são-paulina", mas não teve tempo para aprimorar a finalização. Basílio teve chance de empatar no segundo tempo, mas não superou o capitão da equipe do Morumbi. No último lance da partida o goleiro torceu contra a finalização do zagueiro André Luís e saiu com os três pontos do clássico. "Foi apenas 1 a 0, mas foi muito importante para o nosso futuro nesta fase final da competição", disse Rogério. O São Caetano derrotou o Fluminense, no ABC, por 2 a 0, graças a mais um gol de falta do lateral-direito Anderson Lima (Fabrício Carvalho fez o outro) e as incríveis defesas de Sílvio Luiz, quando o placar ainda estava empatado sem gols, provando o por quê da defesa do campeão paulista ser a melhor do Brasileiro, com apenas 30 gols sofridos em 37 partidas. Do outro lado do gramado, de nada adiantou o bom desempenho de Fernando Henrique, que não conseguiu evitar a 12.ª derrota do Fluminense na competição. O goleiro carioca chegou a fazer duas defesas consecutivas frente à frente com o atacante Euller. O clássico de Campinas Brinco de Ouro colocou em ação os dois piores ataques do campeonato (Guarani e Ponte marcaram apenas 31 gols cada). E a situação do lanterna Guarani (35 pontos) só não ficou pior porque o goleiro Jean foi decisivo em vários momentos. O volante ponte-pretano Romeu, admirado com a atuação do goleiro rival, foi, ao final da partida, cumprimentá-lo. "Fiz questão de falar com ele. Ele estava numa noite inspirada e evitou a nossa vitória no dérbi." Mas o ótimo desempenho não entusiasma Jean. "Preferia ter saído despercebido, mas com o resultado positivo." MUITO TRABALHO - Outro que também tentou sem sucesso salvar seu time de mais uma derrota foi Julio Cesar, do Flamengo. Seu trabalho no clássico contra o Vasco, no Maracanã, começou logo a um minuto de jogo, ao defender um chute perigoso de Robson Luiz. Chiquinho e Anderson testaram as habilidades do goleiro campeão da Copa América com a seleção brasileira, no Peru. Além de competência, ele demonstrou sorte na cobrança de Petkovic, que acertou a trave. Na segunda etapa, Robson Luiz tentou de novo, mas Julio Cesar desviou mais uma vez. Mas como a posição de goleiro é ingrata, alguns torcedores criticaram o jogador no lance do gol do Vasco, quando Julio Cesar não agarrou o chute de Petkovic e propiciou a conclusão de Marco Brito. Mas a torcida do Flamengo poderá ter saudades de Julio Cesar. Há menos de uma semana, o atleta foi visto num jantar em um restaurante no Leblon, com dois empresários alemães. O presidente do Flamengo, Márcio Braga, não se opõe à transferência do goleiro, revelado nas categorias de base, até porque não tem dinheiro para cobrir nenhuma proposta européia. Em Curitiba, a defesa do Corinthians abusou de Fábio Costa. Diante do Paraná, um adversário fraco e desesperado com a proximidade do rebaixamento, o Corinthians viveu do oportunismo de Fabinho e os milagres de Fábio Costa. Com um ataque pouco eficaz no campeonato, que não marcava dois gols em uma partida desde 14 de agosto, coube a Fábio Costa dar um passe para Jô, que originou o primeiro gol de Fabinho. Messias, Vandinho e Marcelo Passos tentaram de todas as formas superar o goleiro corintiano, mas apenas Galvão conseguiu marcar para o 22.º colocado no Brasileiro na segunda etapa.

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