Amanda Perobelli/Estadão
Amanda Perobelli/Estadão

'Gostaria que todos tivessem a segunda chance que eu tive', diz Follmann

Ex-goleiro da Chapecoense diz que lamenta a morte dos amigos, mas não o fato de perder a perna

Daniel Batista, O Estado de S.Paulo

25 Novembro 2017 | 16h59

Eu sou um milagre da vida. As perdas foram muito grandes e são coisas que vamos lamentar para a eternidade, ainda mais pelo fato de ter sido algo que poderia ser evitado. Estou feliz por ter uma segunda chance de viver e gostaria que todos tivessem essa oportunidade que estou tendo. 

+ Famílias ainda esperam por algumas indenizações

Também não gosto de ficar pensando que algo poderia ter sido diferente, pois são coisas que não me farão bem. O passado não se reorganiza e ficar remoendo faz mal. De todos que se foram, quem eu tinha mais contado era o Danilo. A gente vivia junto, tomava café junto, nossas famílias eram amigas. Foi duro, mas temos que seguir. 

Lamentar? Jamais. Fica a tristeza pela perda dos meus amigos, mas jamais reclamei da minha perna amputada. Foram 13 fraturas, quase amputei o outro pé, mas sei que todos que se foram gostariam de estar no meu lugar. 

Quando aconteceu o acidente, eu tinha duas opções: entrar em depressão, ficar jogado no canto ou encarar as coisas de frente e foi o que fiz. E viva intensamente o hoje, pois nossa vida é muito rápida, tudo muda em um piscar de olhos. Eu era um cara feliz e sorrindo como o meu bom trabalho e as coisas mudaram em uma noite. 

No dia 20 de outubro, me casei e dei início a uma construção da família e a confirmação de uma nova vida. A Andressa esteve comigo por todo o tempo e nada melhor do que selar o nosso amor assim. Ano que vem, eu vou fazer curso de gestão para ser dirigente da Chapecoense. Eu ainda estou montando uma clínica de prótese em Chapecó e estou feliz com tudo que está acontecendo comigo. Tinha a ideia de me tornar paratleta, mas ainda não me redescobri em outro esporte. Sem pressa, não adianta eu querer abraçar o mundo.

 

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