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Governo argentino compra direitos para transmitir Copa do Mundo

Atolado no crescente déficit fiscal, governo de Kirchner decide investir no entretenimento esportivo

Marina Guimarães, Agência Estado

07 de janeiro de 2014 | 16h53

BUENOS AIRES - Em meio ao crescente déficit fiscal, queda das reservas, disparada do câmbio paralelo e profunda crise energética, o governo argentino de Cristina Kirchner resolveu investir no entretenimento esportivo e comprou todos os direitos de transmissão para o país dos jogos da Copa do Mundo, que acontecerá entre junho e julho, no Brasil. O chefe de Gabinete de Ministros (equivalente à Casa Civil), Jorge Capitanich, informou nesta terça-feira que o governo assinou "contrato de licença exclusiva para transmissão de 64 partidas, 32 ao vivo e 32 gravadas".

O ministro não falou sobre o custo da exclusividade, mas, para ter uma ideia do que se gasta neste setor, no orçamento de 2014 o programa "Futebol para Todos", pelo qual a emissora de TV Pública transmite, gratuitamente, os jogos da primeira e segunda divisões dos campeonatos nacionais da Argentina, deve receber 1,410 bilhão de pesos (cerca de US$ 213 milhões), 17% acima do que consumiu no ano passado. Desde o início do programa, em 2009, os gastos neste segmento aumentaram 135%. O valor diz respeito somente aos direitos de transmissão, sem contabilizar os custos de logística para a transmissão, produção e publicidade, estimados em, pelo menos, 150 milhões de pesos adicionais.

Até o momento, o governo argentino não permite propaganda privada durante as exibições dos jogos - portanto, fica sem retorno financeiro. A única publicidade permitida nos intervalos é a oficial, que mostra as obras e conquistas do Executivo. Mas recentemente, diante da necessidade de aumentar a arrecadação, Capitanich afirmou que o governo está "trabalhando em uma agenda sobre os direitos de comercialização das transmissões".

Somente no primeiro ano do "Futebol para Todos", o governo gastou 700 milhões de pesos para romper o contrato que a Associação Argentina de Futebol (AFA) tinha com a emissora de TV a cabo TyC, do grupo Clarín, que detinha a exclusividade das transmissões dos campeonatos na Argentina. Foi a primeira de uma série de medidas para atingir o "inimigo número 1 da Casa Rosada", como o próprio governo classifica o grupo Clarín, até chegar à entrada em vigor da Lei de Mídia, que o obriga a se desfazer de seus ativos mais valorizados, as licenças de TV e rádio.

A exclusividade dos jogos não é privilégio deste Mundial de 2014 e já havia sido adquirida em edições anteriores da Copa, como na África do Sul em 2010. A diferença agora é que governo se encontra em um momento de fragilidade nas contas públicas, que teriam fechado 2013 com um déficit acima de 4% do PIB. Segundo levantamento realizado pela Associação Argentina de Orçamento (Asap, pela sigla em espanhol), de janeiro a novembro de 2013, o governo acumulou um déficit de 109,424 bilhões de pesos, equivalentes a 4,1% do PIB.

Na Copa de 2014, a Argentina entra em campo como uma das favoritas ao título, principalmente por contar com o craque Lionel Messi. Na primeira fase da competição, os argentinos vão enfrentar a Bósnia (no Rio), o Irã (em Belo Horizonte) e a Nigéria (em Porto Alegre).

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