Bruno Haddad/Divulgação
Bruno Haddad/Divulgação

Governo do RJ trata com interessados em assumir o Maracanã

Perspectiva é que Odebrecht não continue administração após 2016

RODRIGO VIGA GAIER, REUTERS

03 Novembro 2015 | 15h00

atualizado às 16h20

O governo do Rio de Janeiro começou a negociar com grupos interessados em assumir a concessão do Maracanã diante da perspectiva de que a atual concessionária, liderada pela Odebrecht, não continuará à frente da administração do estádio depois da Olimpíada de 2016, disse uma fonte próxima às conversas entre o Estado e a empreiteira.

O grupo francês Lagardère Unlimited, que já administra no Brasil as arenas Castelão, em Fortaleza, e Independência, em Belo Horizonte, aparece como um dos interessados na concessão do Maracanã, segundo a fonte, que pediu para não ser identificada.

Outras empresas potencialmente interessadas na concessão do estádio são a AEG, que atualmente tem participação minoritária na Concessionária Maracanã, e a IMM, antiga IMX e que foi sócia de Odebrecht e AEG no Maracanã, de acordo com a fonte.

“Já abrimos conversas com outros grupos porque entendemos que a parceria com a Odebrecht não dá mais e está perto do fim", disse a fonte à Reuters. "Não dá para fazer nada antes da Olimpíada para não criar uma instabilidade, mas, após os Jogos, o caminho está aberto para outra administração”, acrescentou.

O Maracanã, que receberá partidas de futebol e as cerimônias de abertura e encerramento dos Jogos de 2016, foi reformado para a Copa do Mundo de 2014 ao custo de R$ 1,2 bilhão e concedido ao consórcio liderado pela Odebrecht em 2013 em um contrato de 35 anos.

A situação da Odebrecht se complicou depois da deflagração da operação Lava Jato, que resultou na prisão do presidente da empreiteira, Marcelo Odebrecht, e de diversos executivos da companhia, por suspeita de corrupção em contratos com a Petrobras.

“Para a Odebrecht, investir hoje R$ 150 milhões virou uma fortuna, algo não prioritário para um grupo que passa por momentos de dificuldades”, disse a fonte, acrescentando que a empreiteira está "enxugando a carteira" e se desfazendo de ativos que não sejam relacionados diretamente à construção civil.

PARTICIPAÇÃO DOS CLUBES

O contrato de concessão do Maracanã sofreu um abalo quando o governo do Estado, após sofrer pressão da sociedade, proibiu a demolição do estádio de atletismo Célio de Barros e do parque aquático Julio Delamare, que ficam no entorno do estádio.

Quando ganhou a concessão do complexo, o consórcio pretendia construir nessas áreas centros comercias, estacionamentos e um shopping center. Sem essa receita, a concessionária questionou o contrato e pleiteia um aditivo para reduzir a obrigação de investimentos de cerca de R$ 600 milhões para R$ 150 milhões ao longo do período de concessão.

Segundo a fonte ouvida pela Reuters, o governo não concorda com a proposta do consórcio, que permite ainda a reavaliação do contrato a cada três anos, podendo desistir da concessão ou exigir uma compensação financeira.

Dois modelos estão sendo estudados pelo Estado para o Maracanã. Um deles prevê que um grupo interessado compre a participação majoritária da Odebrecht no consórcio, e o outro é a devolução da concessão para que uma nova concorrência seja aberta.

Qualquer que seja a escolha, a intenção do governo é permitir que os clubes do Rio de Janeiro possam participar direta ou indiretamente da gestão do estádio, de acordo com a fonte. Flamengo, Vasco, Botafogo e Fluminense costumam reclamar das taxas e dos custos operacionais para realizar seus jogos no Maracanã.

“O futuro administrador do Maracanã tem que entender que o conceito do Maracanã é diferente, ainda mais com a manutenção do Célio de Barros e do Júlio Delamare. O Maracanã só fica de pé com uma parceira com os clubes. Eles podem até participar do futuro processo caso se associem a empresas”, disse a fonte, acrescentando que o governo do Estado descarta a possibilidade de reestatizar o Maracanã. 

A Odebrecht também lidera os consórcios que administram as arenas Pernambuco e Fonte Nova, utilizadas na Copa de 2014, por meio da Odebrecht Properties.

Procurada, a Concessionária Maracanã disse que "Governo do Estado do Rio de Janeiro e Maracanã estão em fase final de reequilíbrio do contrato de concessão, com assinatura de aditivo que redefinirá o escopo e o cronograma das obras incidentais". 

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