Lucas Jackson/ Reuters
Lucas Jackson/ Reuters

Governo dos EUA tem novas provas em caso contra Marin

Promotoria promete entregar evidências de corrupção até junho

THIAGO MATTOS, Especial para o Estado, E JAMIL CHADE, Correspondente em Genebra, Estadão Conteúdo

14 de abril de 2016 | 07h05

Em mais um capítulo do processo judicial que o governo dos Estados Unidos move contra dirigentes de entidades esportivas, a promotoria que cuida do caso se comprometeu a entregar até 30 de junho uma série de novas provas que reforçam suspeitas de corrupção no futebol brasileiro e internacional. Segundo pessoas próximas ao processo, os novos indícios foram coletados a partir da identificação bancária de outros suspeitos e da delação de réus confessos, entre eles J.Hawilla.

Na audiência que ocorreu na manhã desta quarta-feira, no Tribunal do Brooklyn, em Nova York, os promotores reforçaram o que já haviam dito em carta enviada alguns dias antes ao juiz Raymond Dearie. "A investigação está em andamento e continua a receber testemunho de uma variedade de fontes, que inclui indivíduos, entidades e governos estrangeiros", afirmaram os promotores.

Segundo eles, a agenda para o caso exige um imenso esforço de todas as partes envolvidas, tendo em vista as "volumosas descobertas, a duração da extorsão, a complexidade das transações financeiras e das relações dos conspiradores".

A audiência desta quarta-feira estava marcada para discutir calendário, mas diante do assombroso volume de novos documentos a serem anexados ao caso, houve embate com relação à definição das novas fases do processo entre a promotoria e a defesa, que quer mais tempo para se debruçar diante das novas informações. Os promotores sugeriram que o julgamento seja agendado para fevereiro, mas a defesa de Marin se opôs à data.

"O governo precisa entregar as provas para a defesa e aí os advogados têm um prazo para analisar esses documentos que são estimados entre 700 e 900 milhões de páginas", disse Júlio Barbosa, um dos advogados de Marin. "Queremos ir para o julgamento preparados".

Com o apelo da defesa, o juiz Raymond Dearie adiou mais uma vez a nova audiência que discute o status do processo, agora marcada para 3 de agosto. Assim, a data para o julgamento pode acabar também sendo protelada. Ao fim da audiência, o juiz sinalizou que divulga a data para o julgamento nos próximos dias.

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