Governo e Fifa estudam apoio do Exército para reforçar segurança

Entidade mostra preocupação com incidentes no Maracanã e quer evitar problemas no estádio que será sede da final da Copa

Jamil Chade e Marcio Dolzan, O Estado de S. Paulo

19 de junho de 2014 | 13h22

O governo brasileiro e a Fifa avaliam a utilização do Exército para suprir as falhas de segurança na Copa do Mundo e ampliar o período em que os estádios estarão sob a proteção das forças de ordem. Nesta quinta-feira, uma reunião no Rio de Janeiro vai começar a redefinir a estratégia de segurança do Mundial e, na sexta, um encontro com o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, vai bater o martelo sobre o novo esquema.

A Fifa admitiu que a invasão de torcedores chilenos no Maracanã foi "vergonhoso", enquanto a tradução simultânea usada na coletiva de imprensa interpretou a declaração como "constrangedora". Mas a entidade rapidamente culpou o governo brasileiro pela falta de segurança fora do estádio. O governo insiste que a responsabilidade é dos vigias contratados pela Fifa da empresa Sunset e que deveriam garantir a segurança dentro do estádio. 

Na manhã desta quinta-feira, comandantes do Exército estiveram na área invadida no estádio, justamente no momento que todos os jornalistas imprensa estavam em outra sala numa coletiva de imprensa.  Fontes do governo revelaram ao Estado que o Palácio do Planalto chegou a oferecer antes da Copa que todo o esquema de segurança fosse feito por forças públicas, com a utilização do Exército. Mas a Fifa barrou a iniciativa, alegando que não queria uma militarização dos estádios. 

Agora, tanto a Fifa quanto o governo admitem que haverá uma "re-alinhamento" da estratégia de segurança, principalmente diante do fato de que o Maracanã é o estádio da final e que, para o jogo, estão sendo aguardados diversos chefes de estado, entre eles Dilma Rousseff e Vladimir Putin. 

Um dos pontos em debate é o deslocamento do Exército para as área dos estádios. Andrey Passos Rodrigues, secretário extraordinário de Segurança para Grandes Eventos, admitiu que a utilização do Exército está sobre a mesa. Na quarta-feira,  3 mil homens da polícia foram usados no evento, fora do estádio. Dentro, mais mil vigias atuaram para garantir a segurança. 

Segundo ele, a presidente Dilma Rousseff já colocou as Forças Armadas à disposição e não se descarta aumentar o efetivo usado para a Copa, que já é de 150 mil homens. 

PERÍMETRO

Outra medida seria ampliar de quatro para seis horas o período de operações em um estádio, antes da bola rolar. Hoje em dia, quatro horas antes de um jogo, policiais são colocados nas proximidades do estádio, teoricamente impedindo a chegada no local de pessoas sem entradas. 

Mas muitos torcedores sem ingressos estão se concentrando nos portões antes mesmo de a polícia desembarcar. 

Oficialmente, ninguém quis assumir publicamente a falha na segurança no acesso ao Maracanã, principal estádio da Copa e que registra invasão de torcedores nos dois jogos realizados até o momento. Em coletiva realizada na manhã desta quinta-feira, nem Comitê Organizador Local (COL), nem Fifa e nem governo admitiram que houve erros na contenção de torcedores.

No domingo, dois argentinos conseguiram invadir o estádio da final do Mundial. Já na quarta-feira, 85 chilenos foram detidos após invadirem o Centro de Mídia menos de uma hora antes de iniciar a partida entre Espanha e Chile. Um número desconhecido de torcedores conseguiu acessar as arquibancadas e assistiu ao jogo.

Mas, apesar disso, nesta quinta-feira ninguém quis admitir as falhas. "Não tivemos nenhum incidente no interior do estádio que comprometesse o evento, embora nós tivemos o problema da invasão", disse Hilário Medeiros, chefe de segurança do COL. "Do ponto de vista das forças de segurança privada houve resposta imediata junto com as áreas de segurança pública", destacou.

"De nossa parte, do governo, viemos aqui reafirmar essa grande ação cooperativa entre os três níveis de governo e com as entidades privadas", afirmou Rodrigues. "Até o momento não houve nenhum incidente de maior gravidade, e há respostas da segurança pública e da privada em níveis satisfatórios", assegurou.

O único a usar uma declaração mais forte foi o chefe de segurança da Fifa, Ralf Mutschke, que definiu como "vergonhosa" a invasão dos torcedores chilenos ao Centro de Mídia. Mas, assim como os demais, evitou dizer que houve falha na segurança. "Sempre temos um plano B", garantiu.

"Vamos reagir com certeza para garantir a integridade do estádio", declarou Medeiros. Segundo ele, o novo plano será elaborado com a Abin e governo. "Vamos passar por uma re-adequação para persuadir que isso não volte a ocorrer", disse. 

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