Governo não pode intervir na CBF

O governo não pode, por conta de um impedimento legal expresso no artigo 217 da Constituição Federal, intervir na Confederação Brasileira de Futebol. Mas isso não quer dizer que o ministro dos Esportes, Carlos Melles, não possa pressionar o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, a renunciar ao cargo, para o bem do esporte e, mais especificamente, do futebol brasileiro. A relação entre as duas entidades, em frente às câmaras, sempre se pautou pela cordialidade. Por trás, contudo, o ministro procurou mecanismos para se resguardar contra eventuais manobras da entidade que comanda o futebol brasileiro. Na época em que se formou o grupo de notáveis para elaborar o calendário do campeonato brasileiro no segundo semestre, Melles consultou a Advocacia-Geral da União para saber se haveria mecanismos para impedir possíveis quebras de contrato por parte da CBF. Nesse momento, o ministro foi informado que, de fato, estaria amarrado para intervir na entidade, por conta de um dispositivo constitucional, que assegura à CBF autonomia em suas ações. Mas o ministro vem atuando politicamente. Neste fim de semana, ele discutirá com os presidentes de federações e integrantes do Clube dos 13 para procurar alternativas de nomes para assumir o comando do futebol brasileiro. Teixeira, que está com depoimento na CPI do Senado marcado para o dia 2 de outubro, pode fechar a próxima semana como ex-presidente da CBF. Melles, contudo, nega em todas as entrevistas que esteja pedindo a renúncia de Teixeira. O presidente da CPI do Futebol no Senado, Álvaro Dias (sem partido-PR), defendeu a possibilidade de o governo intervir na CBF, à exemplo do que acontece na França. "A seleção faz parte do patrimônio histórico brasileiro, além de ser uma paixão nacional". Álvaro afirma que uma das sugestões que constarão no relatório final da CPI, previsto para ser votado no dia 6 de novembro, é que a Confederação Brasileira de Futebol seja fiscalizada pelo Tribunal de Contas da União. "O futebol envolve recursos que são de natureza pública, fato que o envolve com o poder, ao contrário do que os seus dirigentes afirmam". Álvaro estava de repouso em Curitiba, após uma cirurgia no joelho. "O Ronaldinho, o Romário e eu temos problemas no joelho a serem tratados", brincou ele. O presidente da CPI disse que a próxima semana será destinada a ouvir os depoimentos do ex-presidente do Flamengo, Márcio Braga, na terça-feira e na quinta-feira, será ouvido o atual presidente do clube, Edmundo Santos Silva. O senador afirma que a situação do Flamengo é bastante delicada. "O clube tem um dívida enorme, que passa dos R$ 200 milhões e irregularidades a esclarecer, como a utilização de paraísos fiscais para intermediar a compra de Petkovic, Gamarra e Tuta". No início de setembro, será a vez do deputado Eurico Miranda (PPB-RJ) depor na CPI. Os parlamentares contam com vários documentos contra o presidente do Vasco e, inclusive, já pediram a abertura de um processo de cassação do deputado carioca. Álvaro reconhece que existem vários clubes e dirigentes que aparecerão no relatório final. Mas nada se compara a Eurico. "Ele é over, hors concurs".

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