Governo oficializa Ligas de futebol

As ligas já são legais. O Diário Oficial da União publicou ontem decreto do presidente da República com as normas que regulamentam as novas agremiações, responsáveis pela organização de torneios oficiais. Isso significa, na prática, que os clubes terão autonomia para criar campeonatos. O projeto havia sido elaborado pelo ministro dos Esportes, Carlos Meles, com base no que previa a Lei Pelé.O documento entrou em vigor nesta segunda-feira mesmo, mas ainda provocará polêmica, principalmente na relação das ligas com as Federações estaduais e com a CBF, até hoje entidade que centraliza o poder do futebol no Brasil.Um dos pontos de divergência é a falta de regulamentação do calendário quadrienal, elaborado meses atrás por um grupo de "notáveis".Encontro - Os quatro grandes clubes cariocas decidiram nesta segunda, em uma reunião realizada no Rio , que o encontro de quinta-feira, em São Paulo, para apresentação da minuta do contrato da Liga Rio-São Paulo só terá sucesso se suas reivindicações forem atendidas. Botafogo, Flamengo, Fluminense e Vasco somente vão participar da nova entidade se tiverem os mesmos direitos que os clubes paulistanos.Dentre as propostas cariocas estão a fundação da Liga com um total de oito clubes, sendo os quatro grandes do Rio e quatro de São Paulo (Corinthians, Palmeiras, Santos e São Paulo). O presidente terá um mandato de no máximo três anos e ao término de cada mandato presidencial, um dos estado escolherá um novo dirigente para o posto (o primeiro é de São Paulo e, o segundo, será indicado pelo Rio, dando início a um alternância no cargo máximo da nova entidade.) O nome do atual presidente da Federação Paulista de Futebol, Eduardo José Farah, é o mais cotado.Para não haver problemas na distribuição das cotas de TV para cada clube, o presidente do Fluminense, David Fischel, propôs a fixação de uma porcentagem igual para cada sócio da liga. O dirigente tricolor defende, no entanto, o pagamento de uma cota extra sempre que um clube tiver sua partida televisionada.O presidente do Vasco, Eurico Miranda, frisou que a Liga Rio-São Paulo Ltda. será uma empresa que administrará comercialmente os interesses dos clubes a ela filiados, além de ficar responsável por toda parte de marketing. "A questão de registros, transferências de passes e arbitragem ficará com as Federações Estaduais de Futebol", disse. O dirigente vascaíno ainda esnobou o decreto publicado ontem pela presidência da República que fixou normas para a criação das ligas. "Esse decreto não vale nada, porque não participarei de nada criado por esse ministro (do Esporte e Turismo, Carlos Melles). Nossa liga não é nos moldes da criada por ele. Ela é uma empresa." A apresentação da minuta do contrato social está prevista para quinta-feira na sede da Liga Rio-São Paulo, nos Jardins, na capital paulista. Dentro de dez dias, deve acontecer a primeira Assembléia Geral da entidade. Além dos oito grandes da Liga Rio-São Paulo, serão convidados para participarem do torneio regional do próximo ano mais cinco equipes de paulistas e três cariocas. Os clubes paulistanos defendem que a nova liga deve ser criada com todos os participantes tendo direito a voto.

Agencia Estado,

01 de outubro de 2001 | 20h43

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