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Grafite comemora boa fase no futebol europeu

Atacante diz que não sofrer racismo na Alemanha, e que ainda sonha com a seleção brasileira

Fábio Vendrame, O Estado de S. Paulo

15 de maio de 2009 | 10h30

SÃO PAULO - Grafite anda feliz da vida. O artilheiro do Campeonato Alemão, com 24 gols, tem colaborado, e muito, para manter o pequeno Wolfsburg na liderança da competição - ao lado do Bayern, mas com vantagem no saldo. Os gols ainda o ajudaram a descobrir algo sequer suspeitável, embora raro: os alemães sabem ser, sim senhor, muito calorosos. Especialmente com o principal jogador do time para o qual torcem, bastante festejado nas ruas da cidade.

ESTADO - A que você atribui esse sucesso?

GRAFITE - Posso dizer que sou um jogador em plena capacidade hoje. Comecei a jogar como profissional tarde, aos 21 anos, e nunca passei por categorias de base. Com isso, tive de aprender muitos fundamentos na prática. Tive de trabalhar duro para corrigir as falhas, melhorar as finalizações e, agora, os resultados falam por si. Sei que estou fazendo uma ótima temporada, vivo uma boa fase e tenho me esforçado para isso.

Como foi a adaptação à Alemanha? Como é a cidade onde você vive? E para sua família? O que mudou desde sua chegada até hoje?

Estou feliz e adaptado. Gosto do futebol europeu e me acostumei ao esquema alemão de jogo. Tenho contrato com o Wolfsburg até 2011. Minha família também gosta da cidade, minhas filhas vão à escola e temos uma vida boa por aqui. Para mim, o melhor que poderia acontecer é continuar aqui.

Já enfrentou racismo aqui no Brasil. Sofreu ou já presenciou alguma forma de preconceito aí fora?

Aqui na Alemanha eu não sofro racismo.

Quais foram as pessoas e os elementos fundamentais na sua adaptação ao futebol e ao estilo de vida alemão? Houve alguém que te ajudou em especial?

Como eu estava na França antes de vir para cá, então a adaptação foi mais rápida. Obviamente que o apoio da família e do clube ajudou bastante. O ano passado foi de adaptação e agora estou muito bem integrado no clube.

Confia na conquista do título?

Terminamos a primeira rodada do campeonato na nona colocação, mas nunca deixamos de acreditar. O intervalo de janeiro foi importante para que pudéssemos corrigir erros e para revigorar a equipe. Voltamos entrosados, concentrados e bem focados, pensando em chegar entre os cinco primeiros e trabalhamos duro pra isso. Acredito que possamos vencer. Vamos trabalhar duro para conquistar o título, que é inédito para o time e já provoca certa euforia na cidade.

E a artilharia? Como é ser eleito o melhor da Bundesliga?

Fiquei feliz com o prêmio. Foi um reconhecimento importante. Quanto a ser o artilheiro, creio que exista essa possibilidade, mas ainda muita coisa pode acontecer. Trabalho para minha equipe vencer e marcar é consequência disso.

As pessoas te param na rua?

Sim, vêm sempre conversar conosco. Os torcedores estão otimistas, mas cautelosos.

Quando você vê que atacantes como Vágner Love, Jô e Afonso já tiveram chances de ser observados pelo Dunga, o que pensa?

Obviamente são jogadores de qualidade e que estavam passando por um bom momento quando foram chamados. Respeito e sei da qualidade dos jogadores que são chamados e também do talento daqueles que não estão na lista. É mesmo uma concorrência acirrada, mas estou fazendo meu trabalho aqui.

Acha que merece ir à seleção?

Claro que penso na seleção, mas não cobro uma convocação e nem poderia. Respeito e sei da qualidade dos jogadores que são chamados e também do talento daqueles que não estão na lista. É mesmo uma concorrência acirrada, mas estou fazendo meu trabalho aqui. Tenho feito uma temporada de qualidade e estou à disposição do técnico Dunga.

Até quando pretende ficar no Wolfsburg, ou no futebol alemão, e quais são os planos futuros e próximos passos?

Como já disse, pretendo continuar aqui. Tenho contrato até 2011. Por enquanto, estou focado no fim da temporada e depois penso no futuro. Eu pretendo ficar na Europa mais alguns anos e quem sabe depois voltar ao Brasil e encerrar minha carreira no São Paulo. Mas no momento, meu pensamento está no Wolfsburg. Minha família está muito bem adaptada aqui e eu também. Não teria por que voltar ao Brasil neste momento.

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