"Grafite conseguiu o que queria", diz Olé

A imprensa argentina publicou com destaque a prisão do jogador Leandro Desábato, do Quilmes, acusado de racismo após o jogo de ontem contra o São Paulo. Enquanto Clarín e La Nación deram um tratamento isento, o jornal esportivo Olé responsabilizou o brasileiro Grafite por ter provocado os insultos, como informa a agência Ansa. Na sua edição on-line da 1h21 da madrugada, Olé chama Grafite de "El Negro" e publica na foto o atacante são-paulino batendo no zagueiro Leandro Desábato. O Olé também critica o brasileiro por ter provocado os rivais durante todo o jogo e ter insistido no tema de racismo. Já em sua edição on-line matutina, o veículo publica um título mais neutro sobre o caso: "Desábato foi preso por racismo". O jornal Clarín, o de maior tiragem na Argentina, diz em um box de capa que "Um jogador do Quilmes foi preso por chamar um rival de ´negro´", e destacou o fato de Desábato ter sido o primeiro jogador a ser preso em campo no Brasil. O La Nación, que ao contrário cita o nome dos envolvidos na capa, ressaltou as declarações do cônsul argentino no Brasil, para quem "negro" pode ser considerado até mesmo como um tratamento carinhoso na cultura de seu país. A matéria também ressalta o fato de Grafite ter reagido ao "suposto insulto" com uma agressão, pela qual foi expulso, junto ao jogador do Quilmes Arano. "O Negro disse que o haviam discriminado, e na primeira dividida foi expulso junto com Arano", diz o veículo. Grafite, que acusou o Desábato de chamá-lo de negro e de macaco, "de tanto insistir com o tema da discriminação, conseguiu o que queria: esquentar os jogador do Quilmes. O problema é que nem tudo saiu bem, porque ele também se irritou e foi expulso", afirma a edição on-line do jornal no primeiro parágrafo.

Agencia Estado,

14 de abril de 2005 | 15h20

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