Grafite receberá homenagem em Brasília

Grafite será homenageado nesta sexta-feira, Dia da Consciência Negra e aniversário da abolição da escravidão no Brasil, no plenário do Senado Federal, em Brasília, por sua luta contra o racismo, iniciada após incidente com o argentino Desábato, do Quilmes, em jogo da Libertadores. O atacante são-paulino receberá uma condecoração de honra ao mérito do senador Paulo Paim (PT-RS), um dos principais ativistas no combate ao racismo. "Fico lisonjeado por receber esse tipo de homenagem. Fico feliz por estar representando meu clube, minha família e, principalmente, toda a minha raça", disse Grafite. Ele foi liberado do treino desta manhã justamente para ir a Brasília.Sábado, o time enfrenta o Coritiba, do técnico Cuca, no Morumbi. A queixa-crime está a caminho - Passado quase um mês do incidente com Desábato, Grafite ainda não registrou queixa-crime contra o argentino. Segundo seu assessor, Fábio Bolla, isso deverá acontecer semana que vem. Essa é a expectativa também dos advogados do São Paulo. "Mas não temos pressa. Temos mais cinco meses para entrar com a queixa-crime. Queremos fazer isso da forma mais bem documentada possível", diz o advogado José Carlos Ferreira Alves. Sem a queixa-crime, o Juiz Marco Antônio Coelho Zilli, do Tribunal de Justiça de São Paulo, determinou hoje que Desábato permaneça na Argentina. Quando foi liberado - após passar duas noites preso em São Paulo -, o beque assinou um termo em que se comprometia a voltar ao Brasil sempre que a Justiça determinasse. Havia a expectativa de que isso ocorresse até segunda-feira, quando se completa um mês da liberação do jogador do Quilmes. "Mas o Juiz autorizou que ele (Desábato) ficasse na Argentina e só viesse quando a queixa-crime fosse registrada. Neste momento, ele não teria o que fazer aqui no Brasil", disse Carlos Alberto Pires Mendes, o advogado do argentino. Depois que a queixa-crime for registrada, o Juiz determinará uma data para que Desábato venha ao Brasil. Se for julgado e condenado, o argentino pode pegar de um a três anos de prisão pelo crime de injúria. "Mas por ser um crime em que cabe transação, pode ser determinada uma pena alternativa a ele, como o pagamento de cestas básicas a entidades assistenciais", esclarece Ferreira Alves. Em seus primeiros depoimentos, Desábato admitiu ter mandado Grafite "enfiar a banana no...", mas disse não se lembrar se o havia chamado de "negro de merda". Uma equipe de perícia foi chamada para analisar as imagens e fazer a leitura labial do argentino. O inquérito ainda não foi encerrado. Hoje, Luiz Felipe Scolari, ex-técnico da Seleção Brasileira e atualmente em Portugal, chamou toda essa questão do racismo entre jogadores de "frescura". "Num campo de futebol, fala-se de tudo. Coisas até piores. Isso é normal."

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.