Grafite virou ídolo no peito e na raça

Se Lugano é o "jogador do presidente", Grafite é o "jogador do treinador." Não foi indicado por Leão, já estava no clube quando o técnico chegou, mas é de longe o mais admirado pelo técnico. A torcida concorda. Você é a cara do São Paulo? Grafite - Estou muito identificado com a torcida. O torcedor não liga para a técnica, ele exige raça. E eu tenho muita raça. Mas se ficar um tempo sem fazer gols, a torcida volta a reclamar. Na Libertadores do ano passado chegou a ficar na reserva. É verdade. Eu me lembro de quando o Luís Fabiano saiu. Disse que gostaria de alcançar um lugar no coração do torcedor como ele e os jornalistas quase riram. Era difícil acreditar, mas estou vencendo. Esse título ajuda muito. Daqui a muito tempo vão falar que aquele São Paulo campeão de 2005 tinha o Grafite. O título garante a gente na história. Você é são-paulino? Desde criança. Mostro fotos minhas com a camisa do São Paulo, mas tem gente que não acredita. O importante é que estou criando raízes aqui. O que Leão mudou? Ele perguntou como eu gosto de jogar. Disse que minha base é na ponta-direita, mas que gosto da esquerda também. Ele concordou e só pediu que quando os laterais avançassem eu ficasse mais no centro da área para definir as jogadas. Deu certo. E com o Cuca? Eu me dei bem com o Cuca no Goiás, mas aqui havia um problema. No Goiás, o Araújo jogava na esquerda, o Dimba no meio e eu na direita. Só que o lateral não avançava. Aqui, tem o Cicinho. Ele avança e me tira o espaço. Então, pedi para jogar mais solto, como agora, e o Cuca queria que eu ficasse fixo. Um dia, eu saí da direita e ele me xingou de burro. Você brigou muito? Com muita gente. Teve um jogo em que eu briguei com o Cicinho, com a torcida e com o árbitro. Fui expulso. Não tinha tranqüilidade, mas tudo melhorou. Mas você sabe que o tempo ruim pode voltar? Minha vida é assim mesmo. Nunca sou feliz plenamente. Quando estou feliz em casa, não estou bem no futebol. Quando estou bem no futebol, minha mãe é seqüestrada. Mas é isso mesmo. Tenho de batalhar sempre. Sou um operário, não sou gênio.

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