Grama do Ninho do Pássaro preocupa para Brasil e Argentina

Grama do Ninho do Pássaro preocupa para Brasil e Argentina

Estádio construído para os Jogos de Pequim, em 2008, vira elefante branco e passa por reparos antes do Superclássico, no sábado

Raphael Ramos - Enviado especial a Pequim, O Estado de S. Paulo

07 de outubro de 2014 | 05h00

O estado do gramado do Ninho do Pássaro é preocupante para o Superclássico das Américas entre Brasil e Argentina, sábado, em Pequim. Na segunda-feira, dezenas de funcionários trabalhavam no local para tentar melhorar as condições da grama, que está bastante irregular e cheia de falhas. Placas soltas foram coladas ao solo e os buracos, disfarçados com areia.

Sem receber grandes eventos esportivos regulares desde a Olimpíada de 2008, o suntuoso estádio virou um elefante branco e ponto turístico da capital chinesa. O gramado, por exemplo, não tem nem as demarcações que formam um campo de futebol. Os locais onde seriam as laterais e as áreas dos goleiros são os mais prejudicados. Nesses espaços, ou há grama demais ou faltando. Não há traves nem banco de reservas.

A reportagem do Estado esteve no local por mais de duas horas. O movimento de funcionários era intenso. Inutilizada e suja, a pista de atletismo estava sendo lavada para que as marcas das raias pudessem voltar a ficar visíveis ao público. As demais áreas estão bem conservadas.

Do lado externo, cartazes com fotos de David Luiz, Oscar, Neymar, Messi, Dí Maria e Higuaín promovem a partida de sábado. Foi montado também um stand com bonecos em tamanho real dos jogadores. Há ainda imagens do lateral-esquerdo Marcelo e do zagueiro Dante, que nem foram convocados por Dunga para a turnê na Ásia.

O Superclássico das Américas é encarado pelos organizadores da partida como uma oportunidade de promover o estádio no mercado internacional e atrair novos eventos de peso. Com capacidade para 80 mil pessoas e arquitetura arrojada, o Ninho do Pássaro foi construído especialmente para a Olimpíada de 2008. Após os Jogos, porém, o local recebeu poucos eventos esportivos relevantes, como alguns amistosos de equipes europeias e a Supercopa da Itália, em 2009, 2011 e 2012. Foram raríssimas as vezes em que o estádio ficou lotado e sábado é muito provável que as arquibancadas também não estejam cheias – ainda há ingressos à venda.

ATRAÇÃO TURÍSTICA 

A arena custou US$ 460 milhões (R$ 1,1 bilhão pelo câmbio atual) e hoje tenta sobreviver basicamente do dinheiro das visitas turísticas. O ingresso custa o equivalente a R$ 20 e a visita não é acompanhada por guias e não dá acesso aos setores internos, como vestiários e camarotes.

Tudo no Ninho do Pássaro remete aos Jogos Olímpicos de 2008. O logotipo da competição ainda está nas paredes e os telões e televisores espalhados pelas arquibancadas passam repetitivamente imagens dos Jogos. Em 2008, a seleção brasileira, comandada por Dunga, não jogou no estádio porque não chegou à final – foi eliminada na semifinal pela Argentina, de Lionel Messi, que depois conquistaria a medalha de ouro. No ano passado, com Felipão, o Brasil disputou um amistoso com a Zâmbia no local e venceu por 2 a 0.

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