Grandes batedores lembram seus principais gols de falta

Há pouco tempo atrás, cobradores faziam sucesso pelos gramados brasileiros

O Estado de S. Paulo

28 de julho de 2013 | 09h55

SÃO PAULO - A escassez de grandes batedores de falta no Brasil é recente. Até pouco tempo atrás desfilavam pelos gramados brasileiros jogadores que tinham como grande característica a bola parada. De seus pés, bolas letais saiam em direção ao gol e fizeram história em alguns importantes jogos ao longo da história. Veja abaixo algumas das histórias dos craques nas cobranças que vestiram as camisas de alguns dos principais clubes brasileiros, além, é claro, da seleção.

MARCOS ASSUNÇÃO

"Um dos gols mais importantes da minha carreira foi marcado em 2010, quando eu estava no Palmeiras, no jogo de volta da Copa Sul-Americana contra o Vitória. Nós perdemos o jogo de ida por 2 a 0 e precisávamos de três gols de diferença. Jogamos bem e conseguimos fazer 2 a 0, mas tínhamos de fazer mais um. Aos 43 minutos do segundo tempo, o árbitro marcou uma falta na intermediária. Foi a primeira e única falta em uma posição favorável. Eu estava em uma noite boa, tinha jogado bem e estava com confiança.  Foi uma cobrança perfeita. A bola foi no ângulo, onde o goleiro não conseguiu alcançar. Foi perfeito. Faltavam dois minutos e conseguimos a classificação. Foi um gol marcante"

NELINHO

"O gol de falta que mais me marcou ocorreu no segundo jogo da final da Libertadores da América de 1977, contra o Boca Juniors, no Mineirão. O jogo estava empatado por 0 a 0 e, como tínhamos perdido a primeira partida, na Bombonera, perderíamos o título se não ganhássemos em casa. Faltavam poucos minutos para acabar quando saiu uma falta para nós lá no meio da rua, aí eu chutei e fiz o gol. Foi um gol muito importante porque evitou que a gente perdesse o título em casa (no terceiro jogo, em campo neutro, o Cruzeiro perdeu a taça nos pênaltis). O engraçado é que eu sempre dei muita sorte na Argentina, ou contra times argentinos. Depois que parei de jogar, fui convidado para participar de um programa de tevê na Argentina e fiquei impressionado com a maneira como me trataram. Foi tratamento de ídolo mesmo, o pessoal me adora lá, acho que até mais do que no Brasil.

Outro gol de falta que me marcou muito foi na Copa do Mundo de 1978, contra a Polônia (vitória do Brasil por 3 a 1, pela segunda fase). Aquele foi na base da violência mesmo, mas foi marcante por ter sido em uma Copa. E foi na Argentina, o que mostra que eu dava mesmo muita sorte lá"

RIVELLINO

"O gol de falta mais importante da minha carreira foi marcado na estreia da seleção brasileira na Copa do Mundo de 70 contra a Tchecoslováquia (atual República Checa). A seleção vivia um momento difícil porque saímos do Brasil totalmente desacreditados. Ninguém confiava na seleção. Na estreia, começamos perdendo por 1 a 0 e o time estava em uma situação difícil. Tivemos uma falta na entrada da área em uma posição fronta. Eu sabia que não podia perceber aquela chance. Corri e peguei bem na bola. Foi no canto do goleiro, mas a bola saiu com tanta força que ele não conseguiu defender. Não foi o gol mais bonito, mas, com certeza, foi importantíssimo para a partida - conseguimos virar o jogo para 4 a 1 - e também para toda a conquista da Copa de 70.

ZICO

"Na terceira e decisiva partida da decisão da Copa Libertadores de 1981 - o jogo entre Flamengo e Cobreloa -, eu marquei o gol de falta mais marcante da minha carreira. Nós tínhamos vencido  o primeiro jogo na Maracanã por 2 a 1. Perdemos o segundo por 1 a 0, no Chile. Naquela época, o regulamento previa um terceiro jogo, em campo neutro, em Montevidéu, no Uruguai. Esse jogo foi importante porque eu fiz os dois gols do jogo - vencemos por 2 a 0 - e o nosso futebol venceu a violência. O clima estava horrível entre os jogadores com muitas agressões. O segundo gol, que definiu o título, saiu aos 32 do segundo tempo. Peguei bem na bola e o goleiro nem se mexeu. Foi perfeito. Foi o primeiro título internacional do Flamengo"

MARCELINHO CARIOCA

"A final do Campeonato Paulista de 1995 foi especial. Foi um jogo que reuniu tudo o que existe melhor em uma decisão: pressão, estádio lotado, a necesidade da vitória e a emoção de conseguir um gol importante. Como o Morumbi e o Pacaembu estavam interditados, a final foi em Ribeirão Preto. Nós estávamos perdendo por 1 a 0 e precisávamos do empate no tempo normal e na prorrogação para conseguir o título. O Palmeiras fez 1 a 0 e estávamos pressionados. Eu sofri uma falta no início do segundo tempo. Percebi que o momento era aquele. Eu vi que o Velloso colocou o Muller dentro do gol para tentar tirar a bola de cabeça. Isso foi uma dificuldade a mais. Precisei de muita concentração. Durante a semana, eu havia ensaiado uma paradinha antes da cobrança para fazer a bola pular e descer. Deu certo. Consegui bater no ângulo. Nem o Muller, nem o Velloso alcançaram. Foi um gol maravilhoso".

JUNINHO PERNAMBUCANO

“Um dos gols de falta mais importantes da minha carreira foi na semifinal da Taça Libertadores de 1998, quando o Vasco empatou com o River Plate por 1 a 1, no Estádio Monumental. O jogo estava perto do fim e estávamos perdendo por 1 a 0. Quando aconteceu a falta, pensei que era nossa chance. Estava um pouco longe, mas sempre treinei bem. Sabia que se acertasse a gente poderia ir à final. Fui para a bola, e graças a Deus deu tudo certo. Até hoje a torcida lembra. Esse gol foi importante pela beleza e também pela importância. Com ele, o Vasco conseguiu se classificar para a final”

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