Arquivo/Estadão
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Grandes jogos da Copa do Mundo de 1954

Brasil e Hungria protagonizam a 'Batalha de Berna', vencida pelo time de Puskas que depois cairia diante dos alemães

Glauco de Pierri, O Estado de S.Paulo

11 Maio 2018 | 03h00

Se a seleção brasileira vinha de um vice-campeonato mundial diante do Uruguai ocorrido quatro anos antes, esperava-se que o time canarinho fosse um dos favoritos à conquista da Copa do Mundo de 1954. No entanto, um elenco húngaro que venceu o Brasil e ficou quatro anos sem perder e uma Alemanha que venceu esse time na decisão fizeram os maiores jogos do campeonato.

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ÁUSTRIA 7 X 5 SUÍÇA

As duas seleções se enfrentaram nas quartas de final e os suíços contavam com o apoio de sua torcida. Com um ataque eficiente, os donos da casa abriram 3 a 0 com gols de Ballaman e Huegi (2), mas a Áustria virou a partida ainda na primeira etapa, para espanto de todos, com gols de Koerner (2), Wagner (2) e Ocwirk – Ballaman ainda diminiu o prejuízo da Suíça no final dos primeiros 45 minutos.

Na segunda etapa, Wagner fez o sexto gol austríaco, Huegi anotou o quinto dos donos da casa, mas Probst anotou o sétimo da Áustria e fechou o placar do jogo com maior número de gols da história das Copas. A Áustria acabou sendo eliminada pela Alemanha Ocidental nas semifinais da competição.

HUNGRIA 4 X 2 BRASIL

As quartas de final entre Hungria e Brasil ficou conhecido como “A Batalha de Berna”. A partida foi disputada sob frio e chuva, teve 42 faltas, número considerado muito alto para a época e três jogadores acabaram expulsos pelo árbitro inglês Arthur Ellis – Nilton Santos e Bozsik se agrediram e Humberto acertou um pontapé em Lorant.

Na partida, os húngaros abriram 2 a 0 com menos de sete minutos da primeira etapa. Djalma Santos, de pênalti, diminuiu para o Brasil. Na segunda etapa, a seleção brasileira quase empatou, mas de pênalti Lantos fez o terceiro da Hungria. Julinho Botelho, aos 20, diminuiu de novo para o Brasil, que não teve forças para buscar a igualdade e ainda viu Kocsis ampliar. Após o final da partida, os jogadores das duas equipes trocaram socos e até os treinadores Zezé Moreira e Guzstav Sebes se enfrentaram – o brasileiro acertou o húngaro com uma chuteira na entrada dos vestiários.

ALEMANHA 3 X 2 HUNGRIA

A decisão da Copa de 1954 pode ser considerada como uma das grandes zebras dos mundiais. Além de estar invicta havia 32 jogos, a Hungria venceu a Alemanha Ocidental na primeira fase por 8 a 3 e abriu 2 a 0 com menos de dez minutos do primeiro tempo da partida, gols de Puskas e Czibor. Contudo, os alemães contavam com um técnico estratégico e tinha no atacante Fritz Walter um dos seus pilares. Ao ver o time levar os dois primeiros gols, ele pegou a bola no fundo da rede e pediu “raça” e “vergonha na cara” aos companheiros.

A tática deu certo e com menos de 20 minutos do primeiro tempo o jogo já estava 2 a 2. A Hungria de Puskas e Kocsis sentiram o golpe. Perdiam um gol atrás do outro e esbarravam na forte marcação alemã, imposta pelo técnico Sepp Herberger. Ao final da partida, a Alemanha virou o jogo com Rahn, aos 39 minutos do segundo tempo. A Alemanha ficava com o primeiro de seus quatro títulos e a Hungria sentia o mesmo gosto do Brasil em 1950, de perder uma decisão em que todos a consideravam como grande favorita.

NÚMEROS DA COPA

16 seleções se classificaram para a disputa da Copa da Suíça, entre elas a Coreia do Sul.

140 gols foram marcados em 26 partidas.

5,38 foi a média de gols por jogo, a maior da história das Copas do Mundo.

11 gols fez o artilheiro do Mundial, o atacante Kocsis, da Hungria.

943 mil pessoas pagaram ingresso para as partidas, uma média de 36.269 pagantes.

Hungria 9 x 0 Coreia do Sul, pela primeira fase, foi a maior goleada da competição.

12 gols teve a partida entre Áustria e Suíça, nas quartas de final – até hoje o jogo com maior número de gols em mundiais.

Esta Copa foi a última em que a Fifa era presidida pelo francês Jules Rimet. Ele morreria 2 anos depois, aos 83 anos de idade.

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