Reginaldo Manente/Estadão
Reginaldo Manente/Estadão

Grandes jogos da Copa do Mundo de 1962

Empate entre URSS e Colômbia e vitória do Brasil sobre o Chile marcaram o Mundial

Almir Leite, O Estado de S.Paulo

11 Maio 2018 | 03h00

Um grande confronto não se mede apenas pelo seu grau de importância. Esse foi o caso do duelo entre União Soviética e Colômbia, pela primeira fase da Copa do Mundo de 1962, que ficou marcado pela emoção e grande quantidade de gols marcados. Outra partida do Mundial que entrou para a história foi a semifinal entre Brasil e Chile, lembrada até hoje pela tensão que cercou o embate.

Confira a página especial sobre a Copa do Mundo de 2018

INFOGRÁFICO - Brasil, a camisa mais pesada do futebol mundial

ESPECIAL - 15 anos do Penta, nossa última conquista

UNIÃO SOVIÉTICA 4 X 4 COLÔMBIA

O placar, por si só, já revela no mínimo um jogo movimentado. O empate entre União Soviética e Colômbia, pela primeira fase da Copa do Chile, compensou tanto pela emoção como pelas jogadas de alto nível.

A partida foi disputada no acanhado estádio Carlos Dittborn, em Arica, único construído para o Mundial e que tinha capacidade para apenas 10 mil pessoas - algo impensável nos dias atuais. O juiz foi um brasileiro, João Etzel Filho. Os soviéticos eram amplos favoritos. Tinham grande time, e o melhor goleiro do mundo, Lev Yashin.

Era impensável o Aranha Negra levar quatro gols em um jogo. E os soviéticos consideraram que a segunda vitória na Copa estava garantida quando abriram 4 a 1 aos 11 minutos da etapa final. Mas a Colômbia, time fraco à época, decidiu não se entregar.

E ganhar ainda mais moral quando, aos 28 minutos do segundo tempo, Coll fez um gol olímpico em Yashin. Depois disso, o arqueiro mostrou-se inseguro, soltou bolas fáceis e falhou em pelo menos um dos gols que os colombianos fizeram para empatar.

A Colômbia não foi longe na Copa. Despediu-se na primeira fase sendo goleada pela Iugoslávia por 5 a 0. A União Soviética caiu nas quartas diante do Chile (2 a 1). Mas ambas foram marcantes no Mundial de 1962 pelo jogo memorável que fizeram.

CHILE 2 X 4 BRASIL

Clima de guerra. Assim foi definido na época o ambiente para a semifinal da Copa entre Brasil e Chile. A torcida dos donos da casa estava empolgada com a campanha e a possibilidade de chegar à final, derrotando os atuais campeões, e depois conquistar o título. Os jogadores entraram na "pilha''. Nos bastidores, cartolas e políticos faziam pressão sobre a Fifa e a arbitragem.

Até poderia ter dado se o Brasil não estivesse do outro lado. E se Garrincha não estivesse especialmente inspirado. O "anjo das pernas tortas'' simplesmente arrasou os chilenos. Fez um gol de pé esquerdo, outro de cabeça, ambos raros em sua carreira, e o Brasil abriu 2 a 0.

O Chile reagia batendo. Até diminuiu. Mas aí Vavá fez mais dois e acabou com a festa.

Derrotados, os anfitriões passaram a provocar e a agredir os brasileiros. Até Garrincha perdeu a paciência e deu um "totó'' no chileno Rojas, que caiu se contorcendo como se tivesse levado um tiro.

Mesmo sem ver o lance, o amedrontado juiz peruano Arturo Yamazaki, alertado por um não menos medroso auxiliar, expulsou Garrincha. Mané ainda levou uma pedrada ao deixar o campo.

Mas não ficou fora da final. O Brasil colocou seus dirigentes e até sua diplomacia em campo, conseguiu antecipar o julgamento e obteve a absolvição de Garrincha. Quem acabaria levando a pior foi a Checoslováquia.

NÚMEROS DA COPA

Quantidade de jogos: 32

Gols: 89

Média de gols: 2,78 por jogo

Melhor ataque: Brasil (14 gols)

Maior goleada: Hungria 6 x 1 Bulgária

Média de público: 24.250

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.