Acervo/Estadão
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Grandes jogos da Copa do Mundo de 1994

Triunfos do Brasil sobre Holanda e Itália e futebol romeno se destacam no Mundial daquele ano

Gonçalo Junior, O Estado de S.Paulo

11 Maio 2018 | 03h00

Se o time do Brasil campeão após 24 anos não foi imediatamente considerado um dos melhores em termos de futebol bem jogado, o time era, no entanto, bastante competitivo e contava com o brilho de um Romário no auge da carreira e um futebol coletivo bem jogado. O futebol bonito ficou a cargo da europeia Romênia, do meia e camisa 10 do time, Gheorghe Hagi.

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HOLANDA 2 X 3 BRASIL

A partida de quartas de final entre Brasil e Holanda foi uma das mais marcantes do Mundial de 1994. Muito disputada, a primeira etapa acabou sem gols. No segundo tempo, Romário abriu o placar e Bebeto, com comemoração que homanegou seu filho recém-nascido Matheus, ampliou. Nos próximos 10 minutos, Bergkamp e Winter anotaram e colocaram os europeus de volta na disputa.

Quando tudo já se encaminhava para as penalidades, Branco bateu falta, Romário se contorceu para não desviar a trajetória da bola, que morreu no fundo das redes e classificou o time de Carlos Alberto Parreira para a semifinal. Branco era muito criticado e só atuou em função da suspensão do titular Leonardo. O gol foi sua redenção pessoal.

ROMÊNIA 3 X 2 ARGENTINA

O futebol mais bonito da Copa foi assinado pela Romênia. Comandados pelo meia canhoto e inteligente Gheorghe Hagi, os romenos encantaram o mundo com um futebol ofensivo e dinâmico, cheio de jogadores habilidosos. O símbolo da grande campanha foi a vitória sobre a Argentina em uma partida eletrizante. Hagi protagonizou uma atuação digna de Zidane contra o Brasil em 2006. Os romenos caíram nas quartas de final diante da Suécia nos pênaltis.

BRASIL 0 X 0 ITÁLIA (3 A 2 NOS PÊNALTIS)

Depois de 24 anos, a seleção brasileira voltaria a disputar a final de uma Copa. Desta vez, o apito final revelaria um tetracampeão, pois cada país já tinha conquistado três Copas do Mundo (o Brasil em 58, 62 e 70 e a Itália em 34, 38 e 82). Os esquemas defensivos de Brasil e Itália tirou parte do brilho do espetáculo e, a exemplo da final do Mundial anterior, o jogo não teve a emoção de uma verdadeira final de Copa do Mundo. Quase não houve chance de gol e ao final de 90 minutos regulamentares e de 30 minutos de prorrogação, Brasil e Itália não tinham saído do 0 a 0, levando a decisão da Copa para os pênaltis. 

LINHA DO TEMPO

Rússia x Camarões 

Embora servisse apenas para cumprimento de tabela com ambos já desclassificados, a partida teve recordes importantes. O atacante russo Salenko fez cinco gols na mesma partida, um recorde na história dos Mundiais. Roger Milla, que fez o gol camaronês, tornou-se o jogador mais velho a marcar, aos 42 anos. 

Argentina x Grécia 

Diego Armando Maradona poderia dar uma última prova de seu brilhantismo, demonstrado especialmente em 1986. Mas caiu no exame antidoping na goleada de 4 a 0 sobre a Grécia, jogo no qual fez um gol. Sem ele, a seleção sul-americana acabou eliminada pela Romênia nas oitavas de final, e o genial camisa 10 nunca mais pisou em uma Copa do Mundo. 

Colômbia x Estados Unidos

Colômbia que até então tinha a melhor geração de seu país, lutava com os Estados Unidos para se classificar as oitavas-de-final, mas ao tentar cortar um cruzamento, Andres Escobar acabou marcando o gol contra que eliminaria a Colômbia. Mas dias depois ele foi brutalmente assassinado na frente de uma boate na Colômbia, justamente por causa desse gol contra marcado.  

Nigéria x Bulgária

A comemoração de Rashid Yekini é um dos maiores momentos do Mundial. Em uma das comemorações mais marcantes de todos os tempos, Yekini chora e levanta suas mãos aos céus dentro do gol, entrelaçado às redes. Ele agradece pelo primeiro gol da Nigéria em Mundiais.A Nigéria acabaria se classificando em primeiro du grupo, mas seria eliminada nas oitavas de final pela vice-campeã Itália. Yekini faleceu em 2012, aos 49 anos, mas a causa da morte não foi divulgada. 

Brasil x Itália

A imagem do pênalti cobrado por Roberto Baggio por cima do gol de Taffarel encerra a angústia dos brasileiros, que viveram um jejum de 24 anos sem levantar a taça do Mundo. O italiano que salvara seu país em vários momentos ao longo do torneio falhou na hora decisiva. Os brasileiros invadem o campo, o locutor Galvão Bueno abraça Pelé e grita “é tetra!”. Essa sequência já foi repetida inúmeras vezes trazendo cores novas para uma conquista histórica.

NÚMEROS DA COPA DO MUNDO DE 1994

Jogos: 52

Gols: 141

Média: 2,71

Equipes: 24

Cartões amarelos: 8

Cartões vermelhos: 1 

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