Ivan Storti/Santos FC
Ivan Storti/Santos FC

Grandes salvam as finanças da primeira fase do Paulistão

Ainda assim, 37,5% das partidas registraram prejuízo, com arrecadação menor que os gastos

João Prata, O Estado de S.Paulo

22 de março de 2019 | 04h30

A primeira fase do Campeonato Paulista confirmou o que já se sabe: são os grandes que garantem a saúde financeira da competição. Mas também mostrou números preocupantes: das 88 partidas que tiveram o boletim financeiro divulgado pela Federação Paulista de Futebol (FPF) até a noite de ontem, 33 deram prejuízo ao clube mandante. Ou seja, em 37,5% a arrecadação foi menor do que os gastos com manutenção dos estádios - os oito duelos da 12.ª rodada não foram contabilizados.

No total, 12 das 16 equipes terminaram com pelo menos um jogo no vermelho. E mesmo dos times grandes, só se salvaram Corinthians e Palmeiras. Os dois também foram responsáveis por tirar algumas equipes do prejuízo.

O São Paulo teve saldo negativo de R$ 11.943,17 no duelo com a Ferroviária, no Pacaembu, pela 9.ª rodada. O Santos, quando jogou no estádio municipal, também teve prejuízo em duas oportunidades: na derrota para o Novorizontino ficou no vermelho em R$ 30.305,37 e na vitória por 3 a 2 sobre o Oeste ficou devendo R$ 12.064,52.

O recordista de jogos com prejuízo foi o Red Bull, a equipe de melhor campanha da primeira fase: em cinco das seis vezes que foi mandante, não conseguiu arcar com os custos do estádio, com total de R$ 110.185,39 de prejuízo. No entanto, bastou um jogo com o Palmeiras para que fechasse as contas no azul. No confronto com o time da capital, a equipe de Campinas teve renda líquida positiva de R$ 311.797,74. 

O CEO do Red Bull, Thiago Scuro, não se mostrou surpreso com os números e avisou que não mexerá no valor do ingresso para as quartas de final. “Contra o Santos vamos colocar mais ou menos o valor do jogo com o Palmeiras. Não queremos criar uma política agressiva de ingressos”, disse ontem, durante o congresso da Federação Paulista de Futebol.

As surpresas positivas da primeira fase foram o Botafogo e o Novorizontino, que conseguiram fechar no azul em todos os jogos como mandante. A equipe de Novo Horizonte ainda coroou a campanha com a classificação para as quartas de final. 

Estratégia 

O presidente do Novorizontino, Genilson da Rocha Santos, disse que durante todo o ano o clube realiza ações em escolas, hospitais e casas de caridade: “A gente sai a campo para mobilizar o torcedor”.

Nas escolas, por exemplo, foram distribuídos três mil lápis com o escudo da equipe e três mil ingressos para as crianças. “Elas já entrariam de graça no estádio. Mas, com o ingresso na mão, chamam os pais para ir ao jogo. Um aluno vê o colega indo e também pede para ir. E assim a gente consegue aumentar o público”, explicou. O clube também sempre tenta reverter o pagamento de multas para hospitais e ONGs da região.

O presidente da FPF, Reinaldo Carneiro Basto, minimizou as partidas que deram prejuízo e destacou a organização de algumas equipes do interior. “O interior está mais organizado. Alguns times vêm se planejando e pensando o trabalho a longo prazo. O Ituano, o Novorizontino e o Red Bull estão praticando uma gestão moderna e eficiente”, disse.

O mandatário destacou a mobilização dos torcedores do Botafogo, que lotaram 22 ônibus para acompanhar o duelo de sua equipe contra o Mirassol, que fica a 221 quilômetros de distância, pela 11.ª rodada. “Há uma maior conscientização do torcedor. Esse jogo impressionou a torcida visitante. É um exemplo de que é possível [(ter bom público no interior). Está quase em um nível razoável, mas temos caminhos para melhorar isso e é uma parte importante do trabalho para 2020.”

Carneiro evitou comentar o rompimento do Palmeiras com a entidade. Ao ser questionado sobre a ausência de um representante do clube na reunião de ontem, disse: “Não vieram, mas participei do melhor Conselho Técnico da minha carreira. Foi um conselho de agradecimento a dirigentes, atletas e comissões técnicas”.

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