Gravação complica ainda mais Teixeira

A complicada situação de Ricardo Teixeira à frente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) agravou-se ainda mais nesta sexta-feira, com a divulgação, por meio da Rádio Gaúcha, de Porto Alegre, de trechos de uma gravação de conversa que o dirigente manteve com cerca de 20 representantes de federações estaduais de futebol, quinta-feira à noite, no Rio.Na reunião, Ricardo Teixeira os conclama a "atacar por todos os lados" a Comissão Parlamentar de Inquérito do Futebol, no Senado, e chama o depoimento que prestará à CPI, no dia 2 de outubro, e o posterior relatório dos senadores de "final de copa do mundo".De autoria ainda desconhecida, a gravação teria acontecido na casa do diretor de Patrimônio da CBF, Melchíades Mariano, na Barra da Tijuca. Na conversa, Ricardo Teixeira classificou o senador Geraldo Althoff (PFL-SC), relator da CPI, de "cara-de-pau" por defender a criação de ligas de clubes, que minariam o poder da CBF. "Temos que atacar primeiro esse fórum", afirmou.O presidente da CPI, o senador paranaense Álvaro Dias (sem partido), soube da gravação da Rádio Gaúcha à tarde, pela reportagem da Agência Estado. E não escondeu um certo ar de satisfação. "Eu creio que eles (Teixeira e os presidentes de federações) nos deram uma grande contribuição", disse o parlamentar. "Agora não precisaremos de nenhum esforço para aprovar o relatório, e quem se recusar a aprová-lo ficará sob suspeita."O depoimento final de Teixeira à CPI, no qual terá de responder a uma série de acusações, está marcado para o dia 2 de outubro, em Brasília. O relatório final, a ser preparado por Althoff, será apresentado em 6 de novembro. Álvaro Dias considerou o ataque do dirigente à CPI, na noite de quinta-feira, "uma declaração de confissão". Ele pedirá à rádio cópia da fita.O senador Althoff ficou furioso ao ouvir a gravação. "Tenho me posicionado com discrição, mas, a partir de agora, minha posição passa a ser diferente", prometeu. "Ele (Teixeira) pode vir quente que eu estou fervendo para recebê-lo na CPI."Em nota oficial, Ricardo Teixeira "repele veementemente a ação criminosa que originou a gravação" e diz que solicitou à rádio cópia da fita "para atestar se houve ou não montagem de alguma espécie". O presidente da CBF, porém, pediu "desculpas públicas" pelos ataques aos senadores. "É um erro que não teve intenção de ofender, mas pelo qual me penitencio".O dirigente diz que suas declarações se deram dias após sofrer "ataques torpes, distorcidos e mentirosos, contexto emocional agravado pelo fato de estar sofrendo problemas de saúde." Ele pede que o episódio não seja levado em conta no trabalho dos senadores. "Tenho a consciência tranqüila de que é dever das lideranças que dirigem o futebol brasileiro, assim como de qualquer outro segmento social, buscar influenciar dentro dos estritos limites do campo democrático."

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