Lucas Uebel/Grêmio
Lucas Uebel/Grêmio

Grêmio e Defensoria Pública da União assinam acordo para combater o racismo no futebol

Apesar de serem considerados crimes no Brasil, manifestações racistas e de injúria racial têm crescido no esporte brasileiro

Redação, O Estado de S.Paulo

05 de dezembro de 2019 | 08h15

O Grêmio e a Defensoria Pública da União assinaram nesta quarta-feira um acordo para combater manifestações racistas e de injúria racial no futebol, em evento realizado na Arena Grêmio, rm Porto Alegre. Apesar de serem considerados crimes no Brasil, ocorrências desta natureza estão crescendo nas praças esportivas. O documento assinado pelo presidente do time gaúcho Romildo Bolzan, pelo Subdefensor Público-Geral Federal Jair Soares Júnior, pela defensora pública da união e coordenadora do grupo de trabalho de Políticas Etnorraciais, Rita Cristina de Oliveira, visa criar ações efetivas contra qualquer ato discriminatório.

Em 2014, a imagem do Grêmio ficou arranhada depois que uma torcedora foi flagrada por câmeras de TV chamando o goleiro Aranha, do Santos, de "macaco". O episódio foi um divisor de águas no futebol. "O Grêmio tomou a pecha do termo racista no Brasil. Isso foi muito dolorido para nós. O Grêmio é um clube inclusivo, como todos os clubes de futebol no Brasil. O futebol talvez seja o meio mais inclusivo dentro de qualquer atividade social, onde prevalece rigorosamente o talento", afirmou Romildo Bolzan durante a assinatura do pacto.

"Aqui não tem padrinho nem cor, aqui se vigora o talento de cada um, vigora a capacidade de jogar futebol. O futebol é o esporte mais inclusivo entre as práticas desportivas, o que faz com que uma ação como esta seja tratada com extrema importância por todos nós gremistas", completou o mandatário.

Na mesma linha, o vice-presidente do Conselho Deliberativo do Grêmio, Alexandre Bugin, reforçou que o clube trabalha com várias ações antirracistas, dentro e fora dos gramados. "Essa assinatura dá consistência e base ao nosso trabalho e mostra a intenção do Grêmio em atuar contra o racismo. O Clube como instituição tem responsabilidade para além das quatro linhas que é o de ajudar a construir a cidadania. É uma missão muito grande, mas que temos certeza que será atingida com êxito por que este é o nosso propósito."

Já a defensora pública Rita Cristina de Oliveira destacou a iniciativa do clube em fechar um acordo com o Grupo de Trabalho de Políticas Etnorraciais  (GTPE-DPU). "O futebol é considerado uma paixão nacional e mundial, porém ao que se mostra, tal qual a nossa sociedade, nasceu sobre bases estruturantes adoecidas pelo racismo. Negar essa realidade é leviano, irresponsável e um projeto de autoengano para continuar desfrutando de privilégios sobre essas estruturas que insistem em se dinamizar para continuar subjugando pessoas negras no País. O universo do futebol pode ser capaz de criar mecanismos que produzam sentimentos e ações em contraposição a esse universo perverso."

Retrocesso social

No último fim de semana, o Estado publicou estudo que mostra o crescimento de casos de injúria racial no esporte brasileiro. O observatório da Discriminação Racial, entidade dedicada a pesquisar e discutir o tema, registrou 47 casos no País até novembro. O número representa um crescimento de 6,8% em relação ao ano passado, quando foram registradas 44 ocorrências. Os casos de 2019 representam a maior marca nos últimos seis anos.

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