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Grêmio Osasco 'compra' vaga na elite do futebol paulista

Clube da Grande São Paulo adquire o Audax, que conquistara em campo lugar na Série A-1 em 2014, e com isso põe a cidade na Primeira Divisão estadual

ALESSANDRO LUCCHETTI e GONÇALO JÚNIOR, O Estado de S. Paulo

17 de setembro de 2013 | 07h30

SÃO PAULO - O Grêmio Osasco, clube que disputa a Segunda Divisão do futebol paulista, está promovendo um salto extraordinário para uma equipe que tem apenas cinco anos de história. Com a compra do Audax, equipe que era dirigida pelo Grupo Pão de Açúcar e que já está classificada para a Série A-1 do Campeonato Paulista de 2014, Osasco estará na elite paulista. A aquisição abrange também o Audax Rio de Janeiro.

“Vamos investir e competir de igual para igual com os outros clubes. Será o nosso primeiro ano na elite e não vamos decepcionar”, diz o presidente Lindenberg Pessoa. A negociação, cujos valores não foram revelados, contou com o apoio da prefeitura de Osasco, que se comprometeu a arcar com melhorias para o Estádio Professor José Liberatti, onde serão disputadas as partidas do Campeonato Paulista.

“A gente estava torcendo muito para o time subir, porque Osasco, com todo o seu porte, nunca teve uma equipe na Primeira Divisão. Chegamos a ter a chance de subir este ano. Nos últimos cinco jogos o time não podia perder nenhum para subir, e acabou perdendo todos”, diz o prefeito Jorge Lapas (PT). O nome da agremiação será Grêmio Osasco Audax. A diretoria ainda não definiu como será feito o aproveitamento dos jogadores do Audax – são quase 700 atletas no Rio e em São Paulo.

Apesar das indefinições, um dos líderes do grupo já está acertado. Vampeta, pentacampeão em 2002, vai continuar como gerente de futebol do Osasco, cargo que ocupa desde 2011. O executivo Thiago Scuro, que fazia a função no Audax, foi desligado.

O homem forte que conduziu a negociação é o banqueiro Mário Teixeira, conselheiro do Bradesco. O banco, cuja sede está localizada na Cidade de Deus, em Osasco, já investiu no José Liberatti, pagando pela cobertura das arquibancadas. Além disso, Teixeira fez uma lista dos investimentos que caberiam à prefeitura, e Lapas concordou. Os cofres municipais arcarão com a reforma do CT e construção de alojamentos para 70 atletas, pintura e iluminação da área externa do estádio, ônibus para transporte da delegação e segurança.

Em dois meses, segundo Lapas, deverá ser inaugurado o sistema de iluminação, projeto tocado em parceria com a Eletropaulo. “Por causa da falta de luz o time tinha de jogar à tarde. Mesmo assim, conseguia atrair de dois mil a três mil torcedores em dias de semana. Osasco gosta muito de esporte. O vôlei atrai uns cinco mil torcedores, imagine o futebol”, diz Lapas.

Osasco não está de olho apenas nas fronteiras estaduais do futebol. No ano passado o clube firmou um convênio com o Braga, a terceira força do futebol português, que possibilitará o intercâmbio de atletas entre os dois clubes. A venda do Audax para Osasco está inserida em uma disputa comercial: o conflito entre o empresário Abílio Diniz e o Casino, grupo francês que controla o Pão de Açúcar desde 2012. Com o acordo para a saída de Diniz da presidência da empresa, no início do mês de setembro, os europeus decidiram encerrar as atividades das duas unidades do Audax.

Cálculos da empresa mostram que seriam necessários R$ 30 milhões para manter as duas unidades, quantia considerada elevada pelos franceses.

A mudança representa um grande salto para os jogadores do Osasco, que participam da Copa Paulista e estavam se preparando para a disputa da Série A-2 em 2014. “Nós estávamos nos preparando para a Série A-2 do Campeonato Paulista e agora vamos jogar a A-1. É um sonho que está sendo realizado”, conta o técnico Sérgio Roberto da Silva, o Serginho, que, curiosamente, trabalhou nove anos exatamente no Audax. Os planos do técnico já estão traçados. “Queremos nos manter na elite e disputar a Série D do Brasileiro.”

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