Grêmio se diz vítima de ?armação?

As confusões registradas na partida em que o Olímpia eliminou o Grêmio e garantiu sua vaga na final da Taça Libertadores da América, parecem estar longe de terminar. O time brasileiro corre risco de ser punido pela Confederação Sul-Americana de Futebol (CSF), que considerou ?muito graves?, os incidentes verificados no Olímpico - com a invasão de campo e ameaças ao árbitro. Por outro lado, o resultado provocou a reação indignada do presidente do clube gaúcho, José Alberto Guerreiro. Segundo o dirigente, havia um esquema montado para prejudicar o Grêmio e colocar a equipe paraguaia na final da competição. Furioso, Guerreiro atacou a CSF; dirigentes do Olímpia e até mesmo a Argentina, país de origem do árbitro Daniel Gimenez, que dirigiu a partida. ?É muito duro você ter de conviver no futebol com pessoas com esse caráter; com esse tipo de procedimento. Eu acho que se justificam os problemas pelos quais passa esse país chamado Argentina; um país em que os cidadões (sic) não têm caráter e que dificilmente vai conseguir montar um país?, disse o dirigente ao final da partida. Para ele, a vitória do Olímpia foi uma ?armação?.?Nós sabíamos que alguma coisa iria acontecer. Eu nunca vi alguém fazer um protesto por escrito, em jornal, num jogo em que não houve nenhum prejuízo contra sí. Nós anunciamos que isso era uma preparação. Se alguém tivesse que reclamar alguma coisa, esse alguém seria o Grêmio e aqui, isso ficou muito claro?, acrescentou o dirigente. Guerreiro se referia a uma nota oficial divulgada pela diretoria do Olímpia alguns dias antes do jogo em Porto Alegre.Na nota, dirigida ao presidente da CSF, Nicolás Leoz, o Olimpia exigia que se garantisse ?uma arbitragem decente para o jogo em Porto Alegre". Do contrário, o time poderia se retirar da competição. O Olimpia criticou muito a atuação do árbitro chileno Carlos Chandia na partida de ida em que venceu o Grêmio por 3 x 2, em Assunção. Segundo os paraguaios, o árbitro "entrou em campo com o deliberado propósito de distorcer o resultado esportivo, organizando a partida com uma parcialidade evidente e tratando por todos os meios de influir no resultado". Para o dirigente gremista, o árbitro mal-intencionado era o do jogo desta quarta. De acordo com ele, o juiz argentino teria errado ao anular um gol legítimo de Claudiomiro e, sem motivo, ter mandado voltar uma cobrança de pênalti defendida pelo goleiro gremista. Segundo ele, esses erros determinaram a eliminação dos gaúchos. "Podem escrever que o Olímpia será campeão da Libertadores. Eles vão passar por cima do São Caetano, pois estão comemorando o centenário do clube e a sede da Confederação é a Assunção?, afirmou ele.INCIDENTES - O porta-voz da Confederação Sul-Americana, Néstor Benitez, disse que a entidade considerou ?muito graves? os incidentes em Porto Alegre, quando o gramado foi invadido por dirigentes do Grêmio assim que o árbitro mandou repetir a cobrança de Franco, quando o marcador apontava 4 a 4. Segundo ele, ?quando ocorrem situações graves como as desta quarta-feira, a Conmebol costuma esperar para decidir com serenidade e eqüidade´´. Ele lembrou também que a súmula da partida ainda não foi entregue pelo árbitro argentino.Após a partida, houve um choque entre torcedores gremistas e a Brigada Militar. A polícia teve de usar bombas de gás lacrimogêneo para dispersar os torcedores e por fim ao tumulto. DESMANCHE - Após as eliminações na Libertadores e na Copa dos Campeões, o Grêmio poderá iniciar um processo de reformulação. Jogadores como Rodrigo Fabri e Zinho - que recebem salários considerados altos - podem deixar o clube. O Grêmio corre ainda o risco de perder o zagueiro Anderson Polga. Valorizado pelo título na Copa de 2002, o jogador pode se transferir para o futebol europeu.

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