Greve de árbitros pode levar torcedores a apitar jogos de futebol em Portugal

Regulamento permite a escolha de três espectadores que satisfaçam os dois clubes

JAIR RATTNER, BBC

28 de outubro de 2010 | 16h57

Uma greve de juízes de futebol em Portugal, marcada para o fim de semana entre 6 e 7 de novembro, pode fazer com que o principal clássico do futebol português, Porto x Benfica, seja apitado por expectadores.

Os árbitros decidiram cruzar os braços para protestar contra o pacote de austeridade do governo português para o próximo ano.

Entre outras medidas, o pacote prevê que os árbitros comecem a contribuir com a Previdência Social - 183 euros por mês (cerca de R$ 431) para os que ainda não pagam a aposentadoria.

Eles também vão perder regalias - não poderão mais acumular o dinheiro que receberem por apitar jogos com bolsas de estudo (a legislação portuguesa proíbe que uma pessoa que receba bolsa de estudos trabalhe) ou com o seguro-desemprego.

Apesar de as medidas atingirem principalmente os juízes que atuam nas divisões inferiores, até agora 12 árbitros que apitam os campeonatos de primeira e segunda divisão se declararam indisponíveis para trabalhar no fim de semana de 6 e 7 de Novembro. Mesmo assim, haverá sorteio de árbitros.

Prática 'comum'. Em declarações à agência de notícias Lusa, o presidente da Comissão de Arbitragem da Liga Portuguesa de Futebol Profissional, Guilherme Aguiar, explicou que, no caso de os árbitros não se apresentarem no dia dos jogos, o regulamento prevê que os jogos sejam apitados por três espectadores - sejam árbitros ou não - desde que os nomes deles sejam aceitos por delegados dos dois clubes.

No caso do jogo Porto x Benfica, os dois maiores clubes do país, pode ser difícil encontrar nomes que agradem aos representantes dos dois clubes.

Segundo o presidente da Associação Portuguesa de Árbitros de Futebol, Luís Guilherme, a escolha de espectadores para apitar é comum nos jogos dos campeonatos distritais, que seriam equivalentes a uma quarta divisão.

O técnico do Porto, André Villas-Boas, afirmou que considera a posição dos árbitros de fazer uma greve como legítima. Explicou que os árbitros estão defendendo a formação dos mais jovens.

A greve não deve atingir apenas o futebol. O presidente da Associação Nacional de Juízes de Basquetebol, José Cassapo, sugeriu que os árbitros de basquete declarem indisponibilidade para apitar nos jogos dos dias 6 e 7 de novembro.

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