Greve de jogadores pode marcar fim do Boavista

Salários dos jogadores estão dois meses e meio atrasados; paralisação pode marcar o começo do fim do clube

EFE

19 de abril de 2008 | 11h20

Os jogadores do Boavista decidiram entrar em greve a partir de domingo, devido ao atraso no pagamento de salários, o que pode significar o fim do clube português. O presidente do Sindicato dos Jogadores Profissionais de Futebol, Joaquim Evangelista, lamentou a greve em uma "instituição centenária", como é o Boavista.   Os salários dos jogadores estão dois meses e meio atrasados, e os analistas esportivos locais acreditam que a paralisação pode marcar o começo do fim desse clube do norte de Portugal.   O Boavista, que ocupa a 10ª posição do Campeonato Português, não entrará em campo para enfrentar o Nacional, da ilha da Madeira, no próximo domingo, e perderá os três pontos em jogo nesse encontro.   Além disso, o clube não pagou a última parcela da transferência do jogador senegalês Fary, que estava no Beira-Mar, e corre o risco de ser julgado pelo Tribunal de Comércio de Gaia.   Quase cinco anos depois, o Boavista deve ainda 130.000 euros ao Beira-Mar.   A eventual declaração de insolvência do Boavista significaria a extinção da Sociedade Anônima Esportiva e, de acordo com o regulamento disciplinar da Liga Portuguesa de Futebol Profissional (LPFP), sua saída das competições profissionais por um período de um a cinco anos.   A gestão do clube por quase três décadas de Valentim Loureiro e de seu filho João deixou um passivo superior a 40 milhões de euros que foi herdado, em novembro, pelo atual presidente do clube, Joaquim Teixeira.   Teixeira teve esperança de que o empresário Sérgio Silva tirasse o clube desta situação, já que ele tinha prometido investir cerca de 38 milhões de euros no Boavista.   Mas o primeiro cheque que o presidente recebeu não tinha fundos, e Silva foi detido hoje pela Polícia Judiciária.   A última greve de jogadores em Portugal aconteceu por razões políticas, em maio de 1962. Os jogadores do Académica de Coimbra deixaram de entrar em campo em solidariedade aos estudantes, duramente reprimidos pela ditadura de Antonio de Oliveira Salazar.

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