WILTON JUNIOR/ESTADÃO
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Greve na Portuguesa pode atingir jogadores e paralisar futebol

Não é a primeira vez que trabalhadores do clube ficam sem receber nesta temporada: atraso é de três meses; atletas acionam sindicato

Mariana Naviskas, Especial para O Estado de S. Paulo

21 de outubro de 2014 | 16h57

Funcionários da Portuguesa estão em greve desde a manhã desta terça-feira por falta de pagamento dos salários. Pessoas contratadas pelo regime CLT (com carteira assinada) estão com os vencimentos atrasados há 16 dias, conforme informa o site especializado Lusa News. Já para prestadores de serviços terceirizados do Canindé, a situação é ainda mais grave: o clube não paga esses funcionários há três meses. O Estado confirmou a paralisação com uma funcionária que pediu para não ter o nome identificado.

"Eu não posso obrigar ninguém a trabalhar se não estão recebendo em dia o salário e não têm dinheiro nem para a condução", disse o presidente da Portuguesa, Ilídio Lico, confirmando também a greve. Ele declarou ainda que os servidores estão no seu direito. A Portuguesa passa por situação difícil também dentro de campo. O time, que já foi vice-campeão brasileiro, em 1996, ocupa a lanterna da Série B do Campeonato Brasileiro, e está prestes a cair para a Série C. Se o rebaixamento se confirmar no fim do ano, o clube terá cota menor de televisão em 2015.

O diretor do Sindicato de Atletas Profissionais do Estado de São Paulo (Sapesp), Luís Eduardo Pinela, afirmou que os jogadores da Portuguesa também estão com os salários atrasados há cerca de três meses. A entidade já cobrou a diretoria do clube e sugeriu à Delegacia do Trabalho que fizesse uma visita para averiguar a situação no Canindé. "Nós queremos que os atletas se sintam confortáveis para entrar com um processo coletivo se isso for necessário", declarou Pinela. Segundo o diretor, a entidade já informou os jogadores de todas as possibilidades e está aguardando uma posição. "O sindicato só pode atuar se os atletas quiserem". Não está descartada uma greve também no futebol.

De acordo com Ilídio Lico, a Portuguesa apresenta estrutura muito grande e de difícil manutenção, o que, para ele, justificaria a falta de pagamento. Vale ressaltar que a Lusa não é o único clube a deixar de honrar seus compromissos nesta temporada. O técnico do Santos, Oswaldo de Oliveira, afirmou, em entrevista ao Estado, que não recebia desde maio, antes de ser demitido. "A Portuguesa tem uma receita de R$ 400 mil mensal e uma despesa de R$ 1,5 milhão. Então está difícil contornar tudo isso nesse momento", disse o presidente.Todos os setores do Canindé estão em greve e, de acordo com funcionários, há pessoas dormindo no próprio clube - em geral, trabalhadores cujos salários são menores, como equipes de limpeza e manutenção. Empregados revelaram que há falta de clareza nas informações repassadas pelos dirigentes e muitos estão temerosos, já que o atraso nos salários é uma situação recorrente no clube. Grevistas disseram ter recebido recomendações de superiores para buscarem seus direitos na Justiça. O clube afirma que não há previsão para que os pagamentos sejam feitos.

Ilídio Lico declarou ao Lusa News que pretende recorrer à Federação Paulista de Futebol (FPF) para conseguir um empréstimo. Contatada, a FPF informou não comentar assuntos financeiros de seus afiliados. Em último caso, o cartola lusitano vai tratar do assunto com o Conselho de Orientação e Fiscalização (COF) do clube. Ilídio pretende se reunir com os conselheiros na tarde de quinta-feira para encontrar uma solução para o caso. José Gonçalves Ribeiro, presidente do COF, disse ao Estado que não pode responder pelo grupo - formado por 20 conselheiros - antes da reunião e afirmou que um possível empréstimo irá depender da condição financeira de cada membro.
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