JF Diorio/Estadão
JF Diorio/Estadão

Grupo de 16 clubes da Série A manifesta apoio à MP de Bolsonaro sobre direitos de TV

Times assinam manifesto coletivo em que defendem a ideia de o mandante ser o dono da exploração da partida

Redação, O Estado de S.Paulo

16 de julho de 2020 | 14h58

Um bloco formado por 16 dos 20 clubes da Série A do Campeonato Brasileiro publicou nesta quinta-feira um manifesto em apoio à Medida Provisória 984, sancionada em junho pelo presidente Jair Bolsonaro. Dentre os pontos principais, a MP interfere na venda dos direitos de transmissão do futebol brasileiro, ao conceder ao time mandante esse poder, em vez ser uma concessão compartilhada entre as duas equipes envolvidas.

As quatro equipes integrantes da elite do futebol nacional, que não assinaram o manifesto foram Botafogo, Fluminense, São Paulo. Procurados pelo Estadão, os clubes ainda não se manifestaram. O Grêmio também não assinou, mas o presidente do clube, Romildo Bolzan, afirmou que vai estudar o tema. "Vamos nos preparar para o que vem pela frente, sejam as mídias, os produtos em geral, a estratégia de negociação e principalmente a  identificação de compradores e valores que esses negócios possam gerar. Neste momento inicial, o que mais temos que ter é cautela", disse. "O Grêmio não assinará o Manifesto, por que entende que seria melhor aprofundar todas essas questões e um apoio ocasional não proporciona um debate completo".

Todos demais integrantes da Série A assinaram o texto. Ou seja, Flamengo, Vasco, Athetico-PR, Ceará, Fortaleza, Internacional, Bahia, Atlético-GO, Atlético-MG, Palmeiras, Santos, Corinthians, Goiás, Coritiba, Bragantino e Sport, mostraram-se favoráveis à conversão do texto da MP em Lei.

"Os torcedores ganham com o fim dos apagões de jogos, com mais craques em campo e com um melhor espetáculo no Brasil. Os clubes ganham com mais liberdade e receitas. E o país ganha com os clubes mais sólidos financeiramente, maior geração de empregos e crescimento de impostos pagos aos governos", diz o manifesto.

O Campeonato Carioca, encerrado na última quarta-feira, teve a transmissão bastante modificada justamente por causa da aplicação da MP. As fases finais da competição foram marcadas polêmicas em relação aos mandos de campo e sobre quem teria direito de transmitir a partida. Mandante no jogo de encerramento, o Flamengo negociou a transmissão com o canal SBT.

Confira o manifesto

1. Porque o torcedor é diretamente beneficiado. A MP acaba com os “apagões”, isto é, os jogos sem nenhuma transmissão, que ocorriam quando um canal tem o direito de um time e outro canal tinha o direito do outro. A situação anterior impedia, por exemplo, que mais da metade dos jogos do Campeonato Brasileiro fossem exibidos na TV fechada. Com mais partidas sendo exibidas, teremos um futebol mais democrático, mais acessível e mais barato.

2. Porque ela empodera os clubes a negociar seus direitos e incentiva a união entre as equipes. Esse formato prevalece nos principais mercados de futebol do mundo. O Brasil está pronto para esse passo libertador, que certamente será o ponto de partida para outros aprimoramentos. Com a MP, quanto mais os clubes estiverem unidos, mais vão ganhar.

3. Porque a concorrência vai aumentar. O modelo que vigorava no Brasil gerou concentração do futebol nas mãos de poucos investidores. Consequentemente, não alcançou todo o seu potencial e ainda gerou distorções no seu modelo de distribuição. A MP viabiliza a entrada de novos investidores no mercado, sem afastar os atuais, aumentando a disputa. E isso é bom para os clubes e melhor ainda para o torcedor.

4. Porque devemos seguir o exemplo de quem fez e deu certo. A legislação anterior tinha mais de 50 anos e não refletia uma forma moderna de negociação dos direitos esportivos. A ampliação de investimentos gera aumento de receitas para os clubes, viabilizando a manutenção dos nossos craques por mais tempo no país, além do investimento em estrelas internacionais.

EM RESUMO

Os torcedores ganham com o fim dos apagões de jogos, com mais craques em campo e com um melhor espetáculo no Brasil. Os clubes ganham com mais liberdade e receitas. E o país ganha com os clubes mais sólidos financeiramente, maior geração de empregos e crescimento de impostos pagos aos governos.

Por todas estas razões, APOIAMOS a MP 984/2020 e pedimos a sua CONVERSÃO imediata em Lei!

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