Grupo fará novo protesto contra concessão do Maracanã

Manifestantes entregaram documento nesta quarta exigindo a anulação do negócio

WILSON TOSTA, Agência Estado

22 de agosto de 2013 | 17h57

RIO - Integrantes do Comitê Popular da Copa e Olimpíada marcaram para as 17h da próxima segunda-feira, em frente à sede da Odebrecht, em Botafogo, zona sul do Rio, novo ato de protesto contra a concessão do estádio do Maracanã à administração privada, com possível passeata até o Palácio Guanabara, sede do governo. No último dia do prazo para o Complexo Maracanã Entretenimento S.A., integrado pela Odebrecht Properties, IMX e AEG, entregar propostas de mudança no seu contrato com o Estado, os ativistas pretendem reafirmar sua oposição à privatização do Mário Filho.

Na quarta-feira, depois de ocupar o saguão do Centro Empresarial Botafogo, onde fica a empreiteira, militantes do grupo e da Frente Nacional dos Torcedores entregaram um documento ao grupo empresarial, sob o título "Odebrecht, o Maraca é nosso!", exigindo a anulação do negócio.

"Pelo que já foi indicado pelo consórcio durante a semana, vão pedir o (futuro) Parque Glaziou para fazer o shopping e o estacionamento. Não aceitamos isso", contou uma integrante do Comitê, Carla Hirt.

Projetado para ser construído do outro lado da via férrea, em terreno do Exército, ao lado da Quinta da Boa Vista, o Parque Glaziou seria uma área de 85 mil metros quadrados, com quadras esportivas, pérgolas, bosques, canteiros, lagos e áreas verdes. Seria entregue até a Olimpíada de 2016, batizado com o nome de Auguste François Marie Glaziou, projetista dos jardins da Quinta.

Como o governo estadual recuou do projeto inicial da concessão do Maracanã, que previa a demolição do Estádio Célio de Barros e do Parque Aquático Júlio Delamare, ao lado do estádio, para construção de lojas e abertura de vagas para carros, sua área passou a ser vista como alternativa para compensar os concessionários e, supostamente, viabilizar o negócio.

"Tem vários pontos que continuam questionáveis", insistiu Carla. "O Julio Delamare e o Célio de Barros foram preservados, mas temos preocupação com o seu uso. Era uma área de acesso público, dedicada ao esporte e educação. Foi retombada, mas queremos garantir que seu uso seja público."

A polêmica envolvendo o estádio virou uma delicada questão política. Integrantes do governo do Rio associam parte da queda da popularidade do governador do Rio, Sérgio Cabral Filho (PMDB), à reforma e à concessão privada do Maracanã. A obra custou de mais de R$ 1,2 bilhão, e os ingressos passaram a custar preços vistos como muito altos para o poder aquisitivo local.

A ideia de que o "povo" foi expulso do estádio-símbolo do futebol carioca teria atingido a imagem do governo estadual. Cabral fez sucessivos recuos, desistindo de demolir o Júlio Delamare, o Célio de Barros e a Escola Friedenreich. O prédio que sediava o Museu do Índio também foi preservado, depois de prolongada disputa com índios e ativistas que o ocupavam e foram expulsos à força.

O governo fluminense afirmou que não vai ser pronunciar até segunda-feira. Especula-se que o Estado poderia retomar o negócio ou até o consórcio desistir dele. A Odebrecht, que controla 90% da empresa, foi procurada, mas não retornou pedido de entrevista.

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