Fábio Motta/Estadão
Fábio Motta/Estadão

Grupo de dirigentes quer tirar Marco Polo Del Nero da Fifa

Cartolas se irritam com ausência de brasileiro em reuniões

Jamil Chade, correspondente em Genebra, O Estado de S. Paulo

21 de setembro de 2015 | 07h00

Dirigentes da Fifa avaliam a possibilidade de pedir a abertura de um processo no Comitê de Ética da entidade contra Marco Polo del Nero, presidente da CBF, por suas ausências repetidas nas reuniões da Fifa desde que a polícia suíça prendeu José Maria Marin e outros cartolas em maio. A acusação é de que o brasileiro não está cumprindo suas funções como membro do Comitê Executivo.

Nesta segunda a organização máxima do futebol começa mais uma semana de reuniões, com a meta de fazer avançar a reforma da entidade. Mas, pela quarta vez consecutiva, Del Nero não estará presente nos encontros do Comitê Executivo, uma espécie de governo do futebol mundial, com 24 dirigentes. Procurado pela reportagem, o diretor de comunicação da CBF, Fernando Mello, disse que não tinha nenhuma posição a respeito quando perguntado se Del Nero viajaria para participar das reuniões.

O presidente da CBF deixou Zurique um dia depois da prisão de Marin em maio e não fez parte do Congresso da Fifa que elegeu Joseph Blatter para mais um mandato. Em julho, ele não viajou para Zurique para participar da reunião do Comitê Executivo da entidade que discutiu as reformas da Fifa e, no mesmo mês, faltou à reunião em São Petersburgo sobre a preparação da Rússia para o Mundial de 2018.

Para um grupo de dirigentes que tenta acelerar um processo de reforma da Fifa, Del Nero não pode manter esse comportamento. Em condição de anonimato, o grupo formado principalmente por europeus admitiu ao Estado que não existem regras que estipulam a expulsão de um dirigente do Comitê Executivo enquanto ele mantiver seu cargo na CBF, mas acreditam que existe uma forma de expulsar o brasileiro. Pelas regras da Fifa, cabe ao Comitê de Ética "julgar a conduta de todas as pessoas submetidas a esse código enquanto estiverem cumprindo suas funções". O argumento é de que, fora da Fifa há quase quatro meses, ele não estaria mais cumprindo suas obrigações.

Investigado pelo FBI, Del Nero corre o risco de ser detido pelo menos para questionamentos caso saia do País. Por isso, não tem ido nem acompanhar os jogos da seleção no exterior. Na Suíça, ele está na lista dos dirigentes que poderiam ser interrogados.

Uma sinalização sobre o futuro de Del Nero será dada esta semana. Entre terça e quinta-feira a Justiça suíça deve se pronunciar sobre o destino de Marin. Se a opção for por liberá-lo e julgar que a queixa americana não tem base, Del Nero também poderia voltar a se sentir mais protegido para viajar. Mas, na semana passada, os suíços já autorizaram a extradição do ex-presidente da Conmebol, Eugenio Figueredo, preso pelos mesmos crimes que Marin.

CAMPANHA

Se Del Nero não viaja, Zico desembarca nesta segunda-feira em Zurique para se reunir com dirigentes e presidentes de federações nacionais em busca de apoio para sua candidatura à presidência da Fifa. Para validar sua candidatura ele precisa do apoio por escrito de cinco federações nacionais até 24 de outubro. Zico ainda terá um encontro com Joseph Blatter. 

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